dados sobre linguagem pessoal (2026)

sumário dos resultados

0. considerações iniciais

Apenas 48 pessoas responderam a pesquisa, mesmo com ela sendo divulgada em vários grupos de bate-papo, algumas contas de redes sociais e várias comunidades de formas que deveriam exceder facilmente um alcance mínimo de 500 pessoas. Alguns dos fatores que podem ter contribuído para a baixa adesão, de um ponto de vista pessoal, são:

  • Desinteresse geral no assunto: pessoas podem presumir que falar sobre linguagem "não é para elas" por conta de não terem preferências fortes, não serem maldenominadas com frequência, acharem o assunto fútil ou se considerarem "ignorantes demais sobre gramática" (mesmo que todas as perguntas tenham providenciado exemplos concretos);
  • Desconfortos pessoais com a equipe Qósmiques/algume des integrantes/algo acerca da pesquisa, a ponto de não quererem contribuir para uma coleta de dados de interesse público sobre um assunto pouco estudado;
  • Desinteresse geral em ler mensagens de lugares aos quais têm acesso e/ou ter o trabalho de responder a pesquisa: só porque um grupo do WhatsApp tem mais de 100 membres e poucas mensagens sendo enviadas, isso não significa que todas as pessoas entram e leem as novidades.

Por isso, não acredito que as 48 respostas adquiridas sejam uma boa representação de qualquer comunidade específica (a divulgação aconteceu em vários meios), e nem do público geral. Acredito, no máximo, que respondentes sejam representatives de pessoas que se importam em expressar seus tratamentos e que tiveram contato com determinados espaços online primariamente não-binários ou inclusivos de pessoas não-binárias no primeiro trimestre de 2026.

Para este relatório ser menos repetitivo, quero ressaltar que frases como "a maioria marcou que aceita artigo o" ou "6 pessoas aceitam terminação y" serão sobre respondentes da pesquisa, e não afirmações sobre todas as pessoas existentes. Além disso, algumas das perguntas e alternativas serão resumidas: caso quem esteja lendo isto não entenda do que alguma pergunta ou resposta se trata sem exemplos, sugiro ler a tabela "Resultados crus" na planilha completa e/ou conferir nossos links recomendados sobre linguagem na página de recursos.

Os gráficos que aparecerão após certas estatísticas foram retirados diretamente da planilha completa, e por isso podem aparecer asteriscos sem explicações adicionais. As explicações necessárias já estarão dispostas no texto desta página sem o uso de asteriscos, mas é possível conferir a planilha original para ler explicações mais diretas.

Uma última coisa que pode gerar dúvidas são referências ocasionais a não-binárie e pessoas que não marcaram ser homens ou mulheres como duas coisas separadas. A questão é que não só existem mulheres e homens não-bináries, desde pessoas com gêneros parecidos com estes até pessoas com múltiplos gêneros incluindo homem e/ou mulher, como também há pessoas que marcaram identidades que geralmente são colocadas dentro do guarda-chuva da não-binaridade, como aporagênero ou gênero-fluido, sem marcarem a opção pronta "não-binárie ou não binárie" na pergunta sobre identidade de gênero mesmo que também não tenham marcado que são homens e/ou mulheres. Não há como saber quantas destas pessoas se consideram não-binárias e acharam a opção específica supérflua e quantas preferem não ser categorizadas desta forma, mas a questão é que, para os propósitos desta pesquisa, os grupos não coincidem. Aliás, ninguém marcou ser mulher e homem, nem mesmo pessoas que marcaram ser gênero-fluido ou explicitaram ser bigênero ou poligênero, o que significa que qualquer estatística desta coleta de dados referente a homens exclui pessoas que marcaram ser mulheres e vice-versa.

1. perguntas sobre como disponibilizar linguagem

Os métodos mais comuns de disponibilizar linguagem foram:

  1. Artigo/pronome/final de palavra, ou modelo APF (23 respondentes);
  2. Pronome/d(pronome) (15 respondentes);
  3. Apenas pronome(s) (9 respondentes);
  4. Frases exemplificando que linguagem utilizar, ao invés de quaisquer modelos específicos (9 respondentes);
  5. Não aplicável, por serem casos como "qualquer tratamento serve" ou "nenhuma linguagem marcada" (8 respondentes);
  6. Sinalização indireta via identidades ou características de gênero, incluindo tanto as únicas marcações utilizadas (como "sou mulher" ou "linguagem não-binária") quanto a sinalização de exceções (como "qualquer linguagem menos masculina") (5 respondentes);
  7. Artigo/pronome/final de palavra com mais elementos adicionados, como a contração entre de e o pronome ou a adição de pronomes possessivos ou demonstrativos (4 respondentes).

Pessoas podiam marcar que usavam mais de um método:

  • 24 pessoas marcaram que só usam um método;
  • 13 pessoas marcaram que usam dois métodos (mas uma destas pessoas especificou que nunca explicita seu tratamento além de marcar que usa o modelo APF);
  • 8 pessoas marcaram que usam três métodos (sendo que uma pessoa especificou que flui entre os métodos dependendo de como se identifica em cada dia);
  • 2 pessoas marcaram que usam quatro métodos (sendo que uma delas também marcou que "nunca explicita seu tratamento" além de marcar três métodos);
  • 1 pessoa pulou a pergunta.

O ponto de colocar esta pergunta tão cedo é não influenciar pessoas com base nos resto das preferências que serão coletadas. Por exemplo, alguém poderia perceber que é capaz de escolher o próprio neoartigo ao se deparar com a pergunta sobre que artigos aceita e assim passar a se apresentar com um artigo além de um pronome. Porém, não descarto a possibilidade de pessoas terem se intimidado com uma pergunta assim ao invés das perguntas mais diretas sobre quais os elementos que alguém usa.

A segunda pergunta foi sobre quais os fatores que as pessoas consideram para escolher a maneira de disponibilizar o próprio tratamento. Era, novamente, de múltipla escolha, e o objetivo era saber o que funciona para a proliferação de cada modelo, especialmente quando muita gente ainda não sabe explicar a própria linguagem em termos mais específicos e inclusivos do que "linguagem feminina/masculina/neutra". Apenas três pessoas não a responderam, mas o resto das alternativas foram marcadas por mais de 20% do grupo:

  1. Afinidade com pessoas próximas fazendo a mesma coisa (24 respondentes);
  2. Impressões sobre o quanto pessoas alheias ao assunto vão entender o tratamento ao vê-lo/ouvi-lo (20 respondentes);
  3. Ensino do modelo via postagens em redes sociais, panfletos ou outros materiais (17 respondentes);
  4. Ensino do modelo via aulas ou eventos similares onde o objetivo é ensinar sobre questões de linguagem, de pessoas trans ou afins (15 respondentes);
  5. Afinidade com pessoas relativamente ou completamente distantes fazendo a mesma coisa (14 respondentes);
  6. Popularidade em geral (14 respondentes);
  7. Uso imposto do modelo por conta de redes sociais, aplicativos de relacionamentos, formulários ou afins, de forma que o modelo acaba sendo repetido mesmo em situações diferentes onde nenhum modelo específico é forçado (11 respondentes);
  8. Uso do modelo em mídia de entretenimento (ex.: personagens se apresentando em histórias de ficção usando o modelo, jogos onde ao criar personagem são apresentadas formas de tratamento em um modelo específico) (10 respondentes).

As correlações maiores com alguns grupos isolados a partir das duas formas mais populares de disponibilizar tratamento foram as seguintes:

  • Entre as 11 pessoas que marcaram que só usam APF, a motivação maior foi a afinidade com pessoas próximas fazendo a mesma coisa (5 respondentes), e a menor motivação foi a imposição do modelo em outras circunstâncias (0 respondentes);
  • Entre as 7 pessoas que marcaram que só usam pronome/d(pronome), a motivação maior foi presenciar seu uso em mídia de entretenimento (5 respondentes), e as menores motivações (com 1 respondente marcando cada) foram impressões sobre o quanto outres vão entender, popularidade em geral e uso imposto do modelo em outras circunstâncias;
  • Entre as 7 pessoas que marcaram que usam modelo APF e outros além de pronome/d[pronome], a maior motivação foi o entendimento alheio (6 respondentes), e a menor foi o uso de algum modelo em mídia de entretenimento (0 respondentes);
  • Entre as 5 pessoas que marcaram que usam APF, pronome/d(pronome) e possivelmente outros, as maiores motivações foram o ensino do modelo em aulas/eventos, afinidade com pessoas distantes usando tais modelos e popularidade em geral (3 respondentes cada), enquanto as menores motivações foram o ensino do modelo via postagens ou panfletos e o uso em mídia de entretenimento (1 respondente cada);
  • Entre as 3 pessoas que marcaram que usam pronome/d[pronome] e outros modelos que não sejam APF, as maiores motivações foram o quanto outres vão entender e o uso imposto do modelo (3 respondentes cada), e a menor motivação foi o ensino desses modelos em aulas ou eventos similares (0 respondentes);
  • Entre as 15 pessoas que só marcaram que usam modelos além dos dois mais populares, a maior motivação foi ver pessoas em volta usando os mesmos modelos (8 respondentes), e a menor motivação foi ver pessoas usando tais modelos em mídias de entretenimento (2 respondentes).

2. artigos

Em cada uma das perguntas acerca de um elemento específico - isto é, artigos, pronomes pessoais, finais de palavra/terminações, pronomes demonstrativos e pronomes possessivos, foram oferecidas:
  • Elementos específicos (ex.: artigo a, artigo ê, pronome elu), com dois exemplos cada, com base em guias populares com múltiplos exemplos e elementos que já vi sendo usados ou sugeridos por múltiplas pessoas, e uma opção do tipo "outro elemento não listado aqui";
  • Opções como "nenhum" (indicando contorno por volta do elemento para não usar um elemento marcado, também com exemplos), "qualquer", "qualquer fora o elemento associado com o gênero imposto ao nascer", "qualquer menos o elemento presente na língua padrão que não é associado ao gênero imposto ao nascer", "qualquer menos os presentes na língua padrão" e "qualquer menos um ou mais a serem especificados de forma não coberta pelas outras opções";
  • Duas perguntas separadas, uma para elementos que a pessoa não queria que fossem usados (caso a pessoa tivesse marcado a resposta do tipo "qualquer, menos elementos não mencionados a serem especificados") e outra para especificar quais elementos a pessoa usa que não estavam disponíveis para marcar.

Em geral, pessoas possuem menos paciência, mais dificuldade de lembrar e/ou se sentem menos à vontade escrevendo algo personalizado em comparação com marcar uma caixa. Portanto, é possível que elementos que tivessem que ser inseridos manualmente estejam subrepresentados e/ou que elementos já disponíveis nas perguntas estejam super-representados. Dito isso, com poucas exceções, acredito que pessoas tenham sido honestas acerca dos elementos que mais usam: as respostas são, em geral, coerentes entre si e não muito abundantes, e houveram múltiplas respostas personalizadas na maior parte das perguntas.

Muitas pessoas marcaram opções como "qualquer" além de elementos especificados. Escolhi interpretar isso como pessoas tendo preferências por certos elementos, mas permitindo que outres utilizem outros elementos, e não como "qualquer, mas geralmente outres me atribuem esses" ou "qualquer, mas aqui vão mais algumas respostas aleatórias como exemplos", então respostas feitas junto com "qualquer" foram contadas como preferências marcadas.

Enfim, estas foram as opções especificadas para artigos:

  1. o (23 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ele (23 respondentes, 100%) e elu (6 respondentes, 26,09%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram o (23 respondentes, 100%) e e (8 respondentes, 34,78%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo foi o mais popular entre:
      • Pessoas não-binárias (13 respondentes: 48,15% das pessoas não-binárias especificaram aceitar este artigo, e pessoas não-binárias correspondem a 56,52% de quem marcou que aceita este artigo);
      • Homens (16 respondentes: 94,12% especificaram aceitar este artigo, e homens correspondem a 69,57% des respondentes que marcaram que aceitam este artigo);
      • Pessoas gênero-fluido ou que passam por mudanças em seus gêneros (ideegênero) (4 respondentes: 50% marcaram aceitar este artigo, e estas pessoas correspondem a 17,39% de quem marcou que aceita este artigo);
      • Pessoas xenogênero/xeegênero, em empate com ê e nenhum (3 respondentes: 37,5% das pessoas xenogênero/xeegênero especificaram aceitar este artigo, e pessoas xenogênero/xeegênero correspondem a 13,04% de quem marcou que aceita este artigo);
      • Pessoas meegênero, isto é, pessoas não-binárias com gêneros masculinos mas não necessariamente relacionados com ser homem (4 respondentes: 80% das pessoas meegênero especificaram aceitar este artigo, e pessoas meegênero correspondem a 17,39% de quem marcou que aceita este artigo).
  2. a (16 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ela (16 respondentes, 100%) e elu (6 respondentes, 37,5%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram a (16 respondentes, 100%) e e (8 respondentes, 50%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo foi o mais popular entre:
      • Pessoas que não marcaram nem que são homens e nem que são mulheres, em empate com e (8 respondentes: 34,78% dessas pessoas especificaram aceitar este artigo, e essas pessoas correspondem a 50% de quem marcou que aceita este artigo);
      • Mulheres (7 respondentes: 87,50% de mulheres especificaram aceitar este artigo, e mulheres correspondem a 43,75% de quem marcou que aceita este artigo).
  3. ê (10 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram elu (9 respondentes, 90%) e ele (5 respondentes, 50%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e (10 respondentes, 100%) e o (5 respondentes, 50%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo foi o mais popular entre pessoas xenogênero/xeegênero, em empate com nenhum e o (3 respondentes: 37,5% das pessoas xenogênero/xeegênero usam este artigo, e estas pessoas correspondem a 30% de quem marcou que aceita este artigo).
  4. e (9 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ela (7 respondentes, 77,78%) e elu (6 respondentes, 66,67%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e (8 respondentes, 88,89%) e a (6 respondentes, 66,67%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo foi mais popular entre:
      • Pessoas que não marcaram nem que são homens e nem que são mulheres, em empate com a (8 respondentes: 34,78% dessas pessoas especificaram aceitar este artigo, e essas pessoas correspondem a 88,89% de quem marcou que aceita este artigo);
      • Pessoas gênero-fluxo e/ou que passam por mudanças na intensidade de gênero (uxeegênero), em empate com nenhum, qualquer e u (2 respondentes: 40% de pessoas gênero-fluxo/uxeegênero especificaram aceitar este artigo, e estas pessoas correspondem a 22,22% de quem marcou que aceita este artigo).
  5. qualquer (9 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram qualquer (7 respondentes, 77,78%) e ele (3 respondentes, 33,33%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram qualquer (7 respondentes, 77,78%) e o (3 respondentes, 33,33%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, marcar a aceitação de qualquer artigo foi a opção mais popular entre:
      • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero (4 respondentes: 44,44% de respondentes agênero/ageegênero/no espectro agênero especificaram que usam qualquer artigo, o que também corresponde a 44,44% de quem marcou que aceita quaisquer artigos);
      • Pessoas gênero-fluxo e/ou que passam por mudanças na intensidade de gênero (uxeegênero), em empate com e, nenhum e u (2 respondentes: 40% de pessoas gênero-fluxo/uxeegênero especificaram aceitar quaisquer artigos, e estas pessoas correspondem a 28,57% des respondentes que marcaram que aceitam qualquer artigo).
  6. nenhum (7 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ele, éli, elu, elx e nenhum (3 respondentes cada, 42,86%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e (5 respondentes, 71,43%) e empate entre nenhuma, x e y (3 respondentes cada, 42,86%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, marcar nenhum artigo foi a opção mais popular entre:
      • Pessoas xenogênero/xeegênero,em empate com ê e o (3 respondentes: 37,5% de respondentes xenogênero/xeegênero marcaram preferência por ausência de artigo, e tais pessoas correspondem a 42,86% de quem marcou que aceita não ser tratade com artigos)
      • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com e, u e qualquer (2 respondentes: 40% das pessoas gênero-fluxo/uxeegênero preferem ausências de artigos, e estas pessoas correspondem a 28,57% de quem marcou que aceita não ser tratade com artigos).
  7. le (3 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram élu, ile, ily e qualquer (2 respondentes cada, 66,67%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e (3 respondentes, 100%) e empate entre i, u e y (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo não foi o mais popular entre nenhuma. Porém, 100% das pessoas que marcaram artigo le marcaram ser pessoas não-binárias e não marcaram que são homens ou mulheres.
  8. u (3 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ela, ele, elu, ély, ile, ilu e ily (2 respondentes cada, 66,67%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e, ae e u (3 respondentes cada, 100%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo foi o mais popular entre pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com e, nenhum e qualquer (2 respondentes: 40% das pessoas gênero-fluxo/uxeegênero usam este artigo, e estas pessoas correspondem a 66,67% de quem marcou que aceita este artigo).
  9. x (3 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ela, ele, elu, elx e ile (2 respondentes cada, 66,67%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e (3 respondentes, 100%) e empate entre a, o, x e y (2 respondentes, 66,67%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo não foi o mais popular entre nenhuma. Porém, 100% das pessoas que marcaram artigo x marcaram ser pessoas que não são homens e nem mulheres.
  10. i (2 respondentes);
    • O pronome pessoal mais marcado por quem usa este artigo foi ela (2 respondentes, 100%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e, i, x e y (2 respondentes cada, 100%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo não foi o mais popular entre nenhuma. Porém, 100% das pessoas que marcaram artigo i marcaram ser pessoas não-binárias e não marcaram que são homens ou mulheres.
  11. y (2 respondentes);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa este artigo foram ily e qualquer (2 respondentes, 100%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este artigo foram e, i, u e y (2 respondentes cada, 100%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo não foi o mais popular entre nenhuma. Porém, 100% das pessoas que marcaram artigo y marcaram ser pessoas não-binárias e não marcaram que são homens ou mulheres.
  12. ze (2 respondentes que tiveram que preencher em campo livre);
    • Zes respondentes que marcaram aceitar o artigo ze não marcaram ter pronomes em comum;
    • A terminação mais marcada por quem usa este artigo foi e (2 respondentes, 100%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este artigo não foi o mais popular entre nenhuma. Porém, 100% das pessoas que marcaram artigo ze marcaram ser pessoas não-binárias.
  13. qualquer menos a ou o (1 respondente);
  14. qualquer menos o associado com o gênero imposto ao nascer (1 respondente);
  15. qualquer menos outros a serem especificados (1 respondente, que não especificou);
  16. Os artigos ae, æ, ael, ed, fa, vi, xe, zi e zy foram preenchidos no campo livre e não obtiveram mais do que 1 respondente cada.

Distribuição de artigos como foram mencionados nas estatísticas acima.

Quanto à quantidade de artigos (ignorando opções como "qualquer" ou "qualquer, menos tal condição", mas contando a preferência pelo uso de nenhum artigo):

  • 23 respondentes aceitam 1 opção específica de artigo;
  • 6 respondentes aceitam 2 opções específicas de artigo;
  • 5 respondentes aceitam 3 opções específicas de artigo;
  • 2 respondentes aceitam 4 opções específicas de artigo;
  • 5 respondentes aceitam 5 opções específicas de artigo;
  • 1 respondente aceita 6 opções específicas de artigo.

A maioria das pessoas que só especificou 1 artigo especificou o (12 pessoas, contando 2 que marcaram que aceitam o ou qualquer) ou a (8 pessoas): fora isso, uma pessoa especificou que aceita nenhum ou qualquer, uma especificou que só aceita ê e outra especificou que só aceita e. Já entre quem especificou 2 opções de artigos, todas as pessoas aceitam pelo menos a ou o, com uma pessoa aceitando ambos e outras aceitando ê, e ou nenhum.

A diversificação começa a aparecer nas pessoas que especificaram 3 ou mais artigos, com apenas 2 des 5 respondentes aceitando algum dos artigos da língua padrão. O artigo e foi o mais comum entre tais pessoas (3 respondentes). As pessoas que especificaram 4 opções não marcaram nenhuma opção de artigo em comum, e os artigos mais comuns entre quem especificou 5 opções de artigo foram ê e nenhum (4 respondentes cada).

Em geral, sem contar respostas como "nenhum", "qualquer" ou "qualquer, menos...":

  • 21 respondentes especificaram apenas artigos dentro da língua padrão;
  • 12 respondentes especificaram tanto artigos dentro da língua padrão quanto neoartigos;
  • 7 respondentes especificaram usar apenas neoartigos.

As opções de artigo qualquer, qualquer menos [opção a ser especificada pela pessoa], nenhum, e, ê, a e o seriam satisfatórias para todes es respondentes desta coleta de dados.

Na pergunta acerca de qual a preferência de quem usa múltiplos artigos:

  • 6 respondentes passaram a ideia geral de não ter preferências acerca de como seus artigos são aplicados;
  • 4 respondentes passaram a ideia de que suas preferências por artigos são fluidas;
  • 4 respondentes disseram ter preferências específicas por alguns entre seus múltiplos artigos;
  • 3 respondentes disseram ter preferência pela troca entre artigos.

Na minha opinião, os resultados de artigos foram inesperados: o artigo e quase alcançou o artigo ê, menos pessoas marcaram preferência por nenhum artigo do que preferência por ê ou e, e artigos que vi sendo amplamente divulgados como le e u tiveram tantas pessoas se identificando com eles quanto o artigo x ou o pronome ilu. Novamente, não sei se tais pessoas simplesmente não foram alcançadas por não participarem dos mesmos espaços ou se são pessoas que estavam nos espaços e que preferiram não preencher a pesquisa.

3. pronomes pessoais

As opções marcadas acerca de pronomes pessoais foram as seguintes:

  1. ele (24 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram o (23 respondentes, 95,83%) e empate entre e, a e ê (5 respondentes cada, 20,83%);
    • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram o (24 respondentes, 100%) e e (9 respondentes, 37,5%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome foi o mais popular entre:
      • Pessoas não-binárias (14 respondentes: 51,85% das pessoas não-binárias especificaram aceitar este pronome, e estas pessoas correspondem a 58,33% des respondentes que marcaram que aceitam este pronome);
        • Homens (16 respondentes: 94,12% de homens especificaram aceitar este pronome, e homens correspondem a 66,67% de quem marcou que aceita este pronome);
        • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero (4 respondentes: 44,44% dessas pessoas especificaram aceitar este pronome, e tais pessoas correspondem a 16,67% de quem marcou que aceita este pronome);
        • Pessoas xenogênero/xeegênero (3 respondentes: 37,5% de pessoas xenogênero/xeegênero especificaram aceitar este pronome, e tais pessoas correspondem a 12,5% de quem marcou que aceita este pronome);
        • Pessoas meegênero (4 respondentes: 80% dessas pessoas especificaram aceitar este pronome, e tais pessoas correspondem a 17,39% de quem marcou que aceita este pronome).
    • ela (19 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram a (16 respondentes, 84,21%) e e (6 respondentes, 31,58%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram a (17 respondentes, 89,47%) e e (9 respondentes, 47,37%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome foi o mais popular entre:
        • Mulheres (7 respondentes: 87,5% dessas pessoas especificaram aceitar este pronome, e mulheres correspondem a 36,84% de quem marcou que aceita este pronome);
        • Pessoas que não marcaram que são mulheres ou homens (11 respondentes: 47,83% de pessoas que não são mulheres ou homens especificaram aceitar este pronome, e estas pessoas correspondem a 57,89% de quem marcou que aceita este pronome).
    • elu (12 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram ê (9 respondentes, 75%) e empate entre a e e (6 respondentes, 50%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e (12 respondentes, 100%) e empate entre a e o (6 respondentes, 50%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome foi o mais popular entre:
        • Pessoas gênero-fluido/ideegênero (5 respondentes: 62,5% dessas pessoas especificaram aceitar este pronome, e pessoas gênero-fluido/ideegênero correspondem a 41,67% de quem marcou que aceita este pronome);
        • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com nenhum e qualquer menos o associado com o gênero imposto ao nascer (2 respondentes: 40% de pessoas gênero-fluxo/uxeegênero especificaram aceitar este pronome, e estas pessoas correspondem a 16,67% de quem marcou que aceita este pronome).
    • qualquer (7 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa qualquer pronome foram qualquer (7 respondentes, 100%) e o (3 respondentes, 42,86%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram qualquer (7 respondentes, 100%) e o (3 respondentes, 42,86%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, a aceitação de qualquer pronome não foi mais a opção mais popular em nenhum dos grupos. Porém, 6 das 7 pessoas que marcaram que aceitam qualquer pronome (85,71%) marcaram ser não-binárias.
    • ile (5 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram e (4 respondentes, 80%) e empate entre ê e o (3 respondentes cada, 60%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e (5 respondentes, 100%) e o (4 respondentes, 80%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não foi a opção mais popular em nenhum dos grupos. Porém, nenhuma das pessoas que marcou o pronome ile marcou ser mulher ou homem.
    • éli (4 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram a, ê e nenhum (3 respondentes cada, 75%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e (4 respondentes, 100%) e a (3 respondentes, 75%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não apareceu como opção mais popular. Porém, todas as pessoas que marcaram o pronome éli também marcaram ser não-binárias.
    • élu (4 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram e (4 respondentes, 100%) e ê (3 respondentes, 75%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e (4 respondentes, 100%) e o (3 respondentes, 75%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não apareceu como opção mais popular. Porém, todas as pessoas que marcaram o pronome élu também marcaram ser não-binárias,
    • êlu (3 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram e e ê (3 respondentes cada, 100%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e (3 respondentes, 100%) e empate entre a e o (2 respondentes, 66,67%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não apareceu como opção mais popular. Porém, todas as pessoas que marcaram o pronome êlu também marcaram ser não-binárias.
    • elx (3 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram nenhum (3 respondentes, 100%) e empate entre x e ê (2 respondentes, 66,67%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e, x e y (3 respondentes cada, 100%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não apareceu como opção mais popular. Porém, todas as pessoas que marcaram o pronome elx também marcaram ser pessoas não-binárias e não marcaram ser homens ou mulheres.
    • ilu (3 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram e (3 respondentes, 100%) e empate entre ê, a, o e u (2 respondentes cada, 66,67%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e (3 respondentes, 100%) e empate entre a, ae, o e u (2 respondentes cada, 66,67%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não apareceu como opção mais popular. Porém, todas as pessoas que marcaram o pronome ilu também não marcaram ser homens ou mulheres.
    • ily (3 respondentes);
      • Os artigos definidos mais marcados por quem usa este pronome foram e, le, u e y (2 respondentes cada, 66,67%);
      • As terminações mais marcadas por quem usa este pronome foram e e u (3 respondentes cada, 100%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome não apareceu como opção mais popular. Porém, todas as pessoas que marcaram o pronome ily também marcaram ser pessoas não-binárias e não marcaram ser homens ou mulheres.
    • nenhum (3 respondentes);
      • 100% das pessoas que marcaram preferência por nenhum pronome também marcaram preferência por não usar nenhum artigo;
      • 2 respondentes (66,67%) entre quem marcou preferência por nenhum pronome também marcaram preferência por não usar nenhuma terminação marcada;
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este pronome foi o mais popular entre pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com elu e qualquer menos o associado com o gênero imposto ao nascer (2 respondentes: 40% das pessoas gênero-fluxo/uxeegênero marcaram que aceitam não ser referidas com pronomes, e estas pessoas são 66,67% das pessoas que marcaram preferência por não usar nenhum pronome).
    • qualquer menos o associado com o gênero imposto ao nascer (3 respondentes)
      • A opção mais marcada de artigo por quem marcou essa opção foi qualquer (2 respondentes, 66,67%);
      • A opção mais marcada de terminação por quem marcou essa opção foi qualquer, menos a terminação associada com o gênero imposto ao nascer (3 respondentes, 100%);
      • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta opção foi a mais popular entre pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com elu e nenhum pronome (2 respondentes: 40% das pessoas gênero-fluxo/uxeegênero marcaram que aceitam quaisquer pronomes além dos associados com os gêneros que lhes foram impostos ao nascer, e estas pessoas são 66,67% das pessoas que marcaram a opção em questão).
    • ély (2 respondentes);
      • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que aceitam ser referidas com o artigo u.
      • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que aceitam as terminações ae, e e u.
      • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que são pessoas não-binárias e não marcaram ser mulheres ou homens.
    • ili (2 respondentes);
      • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que aceitam ser referidas com o artigo e.
      • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que aceitam as terminações e, o e u.
      • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que são pessoas não-binárias e não marcaram ser mulheres ou homens.
    • ilo (2 respondentes);
    • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que aceitam as terminações e, i e y.
    • Ambes es respondentes que marcaram este pronome também marcaram que são pessoas não-binárias e não marcaram ser mulheres ou homens.
  2. qualquer menos ela ou ele (1 respondente);
  3. qualquer menos outros a serem especificados (1 respondente, que não especificou);
  4. Os pronomes el, elz e ila foram disponibilizados para marcar, mas apenas 1 respondente marcou cada um deles;
  5. Os pronomes ⭐, 🎲, alu, elae, eld, elv, vel e ylz foram preenchidos manualmente, mas nenhum deles foi preenchido por mais de 1 respondente. A pessoa com o pronome vel ofereceu o exemplo divel de como ficaria a contração entre de e seu pronome;
  6. Uma pessoa preencheu "Deæ" como seu pronome, mas forneceu dois exemplos que corresponderiam com o pronome elæ ("elæ é jovem, gosto muito delæ").

Além disso, foram oferecidas as seguintes opções não marcadas: pronome elf, e, como já diz a seção anterior, "qualquer, menos o pronome imposto ao gênero binário que não me foi imposto ao nascer".

Distribuição de pronomes pessoais como foram mencionados nas estatísticas acima.

Quanto à quantidade de especificações de pronomes (não contando nenhuma variação de qualquer, mas contando "nenhum" como uma opção específica de pronome):

  • 23 respondentes aceitam 1 opção específica de pronome;
  • 8 respondentes aceitam 2 opções específicas de pronomes;
  • 3 respondentes aceitam 3 opções específicas de pronomes;
  • 2 respondentes aceitam 4 opções específicas de pronomes;
  • 1 respondente aceita 5 opções específicas de pronomes;
  • 4 respondentes aceitam 6 opções específicas de pronomes;
  • 1 respondente aceita 7 opções específicas de pronomes;
  • 1 respondente aceita 12 opções específicas de pronomes.

Entre quem especificou uma opção, há 21 pessoas que especificaram apenas ela ou ele (às vezes com a adição de qualquer pronome), 1 pessoa que especificou o pronome elu e 1 pessoa que especificou nenhum ou qualquer além do associado ao gênero imposto. Entre quem especificou duas opções, 5 especificam uso de neopronome junto a ela ou ele, enquanto ninguém especificou só neopronomes. Quanto a quem especificou 3 ou mais opções, há 3 respondentes que especificaram apenas neopronomes, e 1 respondente que especificou o uso de nenhum pronome além de neopronomes, enquanto es outres 8 respondentes marcaram que usam ao menos um pronome entre ela e ele. No total, ignorando opções como nenhum ou qualquer, 23 pessoas especificaram apenas pronomes dentro da língua padrão, 15 especificaram neopronomes e ela e/ou ele e apenas 5 pessoas reivindicam apenas neopronomes.

Embora haja uma diversidade bem maior de pronomes entre es 12 respondentes que marcaram que aceitam pelo menos 3 pronomes específicos, os pronomes mais comuns dentro deste grupo ainda foram ele e elu (com 7 pessoas cada), com ela e ile (5 pessoas cada) em segundo lugar. Mas é aqui que estão todas as pessoas que aceitam vários dos pronomes listados, como éli, élu, ael, êlu, elx, ilu e ily (além do próprio pronome ile). Porém, isso tudo contribui para que os únicos pronomes necessários para cobrir todes es respondentes da pesquisa sejam ela, ele, elu, um dos pronomes que aceito (éli seria o mais popular entre estes, seguido de elx), qualquer, qualquer menos um e, possivelmente, ély, ilo ou ily, que são os pronomes especificados pela pessoa que disse aceitar "qualquer pronome menos ela e ele" e "qualquer pronome menos outro de forma que não está citada" sem ter especificado o que aceita ou não aceita.

As respostas acerca de como tratar a questão de múltiplos pronomes muda em comparação com as respostas acerca de artigos:

  1. 7 pessoas elaboraram preferências específicas de usar certo(s) pronome(s) com mais prioridade do que outro(s);
  2. 5 pessoas escreveram que preferem que pessoas fiquem trocando o pronome usado para se referir a elas;
  3. 4 pessoas escreveram algo que deu a entender que, ao menos em geral, não possuem preferências entre seus múltiplos pronomes;
  4. 2 pessoas escreveram que suas preferências são fluidas, isto é, podem mudar de tempos em tempos.

Também fiz uma pergunta querendo saber os motivos pelos quais pessoas utilizam modelos como "elu/delu" e "ele/dele" mesmo que sejam redundantes. Aqui estão algumas das diferentes respostas:

  • Nem sempre, exceto se eu quiser deixar claro que eu uso uma grande gama de pronomes e gostaria que eles fossem trocados
  • Ela/dela
  • Na minha cabeça, a repetição da informação é um código mais amplamente reconhecido pra que entendam do que estou falando. Por exemplo, se eu só falo "fulano, ele" pode parecer um fim de nome - tipo marcele - ou que eu vou começar uma frase. Se eu mando um "ele/dele" as pessoas já entendem a que esse "ele/dele" se refere. Claro que isso, eu to falando, numa roda de conversa, sei la. Pensando que a pergunta, quando é perguntada, costuma ser "quais os seus pronomes", parece que preciso responder com mais de uma palavra.
  • Para dar mais de um exemplo de uso.
  • uso em espaços que as pessoas ou locais tenham pouco contato com a forma artigo/pronome/final de palavra ou quando o local onde vou inserir o meu conjunto não foi pensado pra isso, ou não tem espaço pra essa discussão. Por exemplo, no campo "nome" que aparece numa chamada de vídeo. Se deixo escrito lá [Meu nome] e/elu/-e ou "qualquer conjunto de linguagem", as pessoas que veem (pelo menos no círculo de pessoas cisgênero com quem trabalho) não costuma entender o significado. Se eu coloco elu/delu, a associação é mais rápida e eu evito, na maioria das vezes, alguma maldenominação.

4. terminações / finais de palavra

Esta foi a única categoria onde ninguém sentiu a necessidade de incluir alguma resposta personalizada. Inclusive houveram algumas opções disponibilizadas e não marcadas: é (ex.: honesté, queridé), s (ex.: honests, querids), qualquer, menos a terminação imposta ao gênero binário que não me foi imposto ao nascer, qualquer, menos as terminações já existentes na língua padrão (a/o), qualquer, com a exceção de uma ou mais terminações de forma que não foi especificada nas opções acima e, obviamente, outra(s) terminação(ões) não listada(s) nas opções acima. Enfim, estas foram as opções marcadas:

  1. o (24 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram o (23 respondentes, 95,83%) e empate entre e, a e ê (5 respondentes cada, 20,83%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ele (24 respondentes, 100%) e empate entre ela e elu (6 respondentes, 25%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação foi a mais popular entre:
      • Homens (16 respondentes: 94,12% de homens especificaram aceitar esta terminação, e homens correspondem a 66,67% des respondentes que marcaram que aceitam esta terminação);
      • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero (3 respondentes: 33,33% das pessoas nesta categoria especificaram aceitar esta terminação, e tais pessoas correspondem a 12,5% des respondentes que marcaram que aceitam esta terminação);
      • Pessoas meegênero (4 respondentes: 80% das pessoas meegênero especificaram aceitar esta terminação, e estas pessoas correspondem a 16,67% de quem marcou que aceita esta terminação).
  2. a (18 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram a (16 respondentes, 88,89%) e empate entre e e o (6 respondentes cada, 33,33%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ela (17 respondentes, 94,44%) e empate entre ele e elu (6 respondentes cada, 25%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação foi a mais popular entre mulheres (7 respondentes: 87,5% de mulheres especificaram aceitar esta terminação, e mulheres correspondem a 38,89% de quem marcou que aceita esta terminação)
  3. e (18 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram ê (10 respondentes, 55,56%) e empate entre e, a e o (8 respondentes cada, 44,44%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram elu (12 respondentes, 66,67%) e empate entre ela e ele (9 respondentes cada, 50%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação foi a mais popular entre:
      • Pessoas não-binárias (17 respondentes: 62,96% das pessoas não-binárias especificaram aceitar esta terminação, e estas pessoas correspondem a 94,44% des respondentes que marcaram que aceitam esta terminação);
      • Pessoas que não marcaram ser homens ou mulheres (13 respondentes: 56,52% das pessoas neste grupo especificaram aceitar esta terminação, e estas pessoas correspondem a 72,22% de quem marcou que aceita esta terminação);
      • Pessoas gênero-fluido/ideegênero (6 respondentes: 75% das pessoas deste grupo especificaram aceitar esta terminação, e pessoas gênero-fluido/ideegênero correspondem a 31,58% de quem marcou que aceita esta terminação);
      • Pessoas xenogênero/xeegênero (5 respondentes: 62,5% das pessoas xenogênero/xeegênero especificaram aceitar esta terminação, e estas pessoas correspondem a 26,32% de quem marcou que aceita esta terminação);
      • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero (3 respondentes: 60% das pessoas neste grupo especificaram aceitar esta terminação, e pessoas gênero-fluxo/uxeegênero correspondem a 16,67% de quem marcou que aceita esta terminação).
  4. qualquer (7 respondentes);
    • As opções de artigo definido mais marcadas por quem usa qualquer terminação foram qualquer (7 respondentes, 100%) e o (2 respondentes, 28,57%);
    • As opções de pronome pessoal mais marcadas por quem usa esta terminação foram qualquer (7 respondentes, 100%) e ele (3 respondentes, 42,86%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta opção de terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, 6 das 7 pessoas que marcaram esta opção também marcaram que são não-binárias.
  5. y (6 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram ê e nenhum (3 respondentes cada, 50%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ela e elx (3 respondentes cada, 50%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, todys que marcaram aceitar a terminação y também marcaram ser não-binariys.
  6. x (5 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram ê e nenhum (3 respondentes cada, 60%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ela e elx (3 respondentes cada, 60%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, todxs que marcaram aceitar a terminação x também marcaram ser não-binárixs.
  7. ae (4 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram o e u (3 respondentes cada, 75%);
    • O pronome pessoal mais marcado por quem usa esta terminação foi ele (3 respondentes, 75%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, 3 das 4 pessoas que marcaram aceitar a terminação ae também marcaram não ser homens ou mulheres.
  8. i, de forma que não muda a sílaba tônica das palavras, como em gráti ou surprêsi (3 respondentes);
    • O artigo definido mais marcado por quem usa esta terminação foi y (2 respondentes, 66,67%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ele e ily (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, tôdis que marcaram esta opção também marcaram ser não-bináris.
  9. u, de forma que não muda a sílaba tônica das palavras, como em grátu ou surprêsu (3 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram e (3 respondentes, 100%) e empate entre a, o e u (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ela, ele e ile (3 respondentes, 100%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, nenhuma das pessoas que marcou esta opção marcou ser homem ou mulher.
  10. u, transformando as palavras em oxítonas, de forma que gratu rime com tatu (3 respondentes);
    • Os artigos definidos mais marcados por quem usa esta terminação foram ê, o e u (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Os pronomes pessoais mais marcados por quem usa esta terminação foram ele, elu, ély e ily (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, todus que marcaram esta opção também marcaram ser não-binariús.
  11. qualquer menos a associada com o gênero imposto ao nascer (3 respondentes);
    • A opção de artigo mais marcada por quem marcou esta opção de terminação foi qualquer (2 respondentes, 66,67%);
    • A opção de pronome pessoal mais marcada por quem usa esta terminação foi qualquer, menos o pronome imposto ao gênero que me foi imposto ao nascer (3 respondentes, 100%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, duas das três pessoas que marcaram esta opção (não necessariamente as mesmas) marcaram não ser homens e nem mulheres, ser pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero e/ou ser gênero-fluxo/uxeegênero.
  12. nenhuma terminação, de forma que contornos como pessoa grata são usados ao invés de algo que marque alguém individualmente (3 respondentes);
    • As opções de artigos definidos mais marcadas por quem usa esta terminação foram nenhum (3 respondentes, 100%) e o (2 respondentes, 66,67%);
    • As opções de pronomes pessoais mais marcadas por quem usa esta terminação foram ele e nenhum pronome (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, todas as pessoas que marcaram esta opção também marcaram ser pessoas não-binárias.
  13. ' (2 respondentes)
    • Não houveram artigos definidos especificados em comum por quem marcou que usa esta terminação;
    • Não houveram pronomes pessoais especificados em comum por quem marcou que usa esta terminação;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, amb's respondentes marcaram ser não-binári's, xenogênero/xeegênero e nem homens e nem mulheres.
  14. i, transformando as palavras em oxítonas, de forma que surpresi rime com frenesi (2 respondentes);
    • Não houveram artigos definidos especificados em comum por quem marcou que usa esta terminação;
    • O pronome ilo foi marcado por ambas as pessoas que marcaram utilizar esta terminação;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, esta terminação não foi a mais popular em nenhum caso. Porém, ambis respondentes marcaram ser não-binaris, e nenhumi marcou ser homem ou mulher.
  15. nada no lugar de uma terminação, como em grat ou surprês (1 respondente).

Distribuição de terminações como foram mencionadas nas estatísticas acima.

Não contando nenhuma das variações de qualquer, e contando tanto nenhuma terminação como nada como terminação:

  • 23 respondentes especificaram 1 opção de terminação;
  • 7 respondentes especificaram 2 opções de terminação;
  • 4 respondentes especificaram 3 opções de terminação;
  • 2 respondentes especifcaram 4 opções de terminação;
  • 3 respondentes especificaram 5 opções de terminação;
  • 3 respondentes especificaram 6 opções de terminação.

Entre quem marcou apenas uma opção específica de terminação, 19 pessoas marcaram a ou o (com 3 pessoas a mais usando o em comparação com a), enquanto 3 pessoas marcaram e e 1 pessoa especificou o uso de nenhuma terminação. Quanto a quem marcou duas terminações, quase todas as pessoas marcaram aceitar a terminação o, com outras duas pessoas especificando apenas a e e. Entre quem marcou o uso de três ou mais terminações específicas, o único resultado repetido foi e, a e o, com duas pessoas marcando exatamente estas duas terminações: há outros casos que chegam perto, como o de uma pessoa aceitando a, ae, e, o e u e outra aceitando as mesmas terminações e mais a terminação vazia, ou o de uma pessoa aceitando a, e, x e y com outra aceitando todas estas terminações e mais i.

Apenas 5 respondentes especificaram que aceitam apenas neoterminações, sendo que 3 são pessoas que marcaram só aceitar a terminação e. Entre as outras duas pessoas, uma pessoa aceita ae, e, i, u, y ou ', enquanto a outra aceita e, x, y ou '. Portanto, ao incluir as opções de terminações e, a e o, além de qualquer e qualquer menos uma, é possível cobrir todes es respondentes desta coleta de dados.

A preferência pela terminação e não é surpreendente, e não apenas em questão de preferência anedótica: enquanto é possível evitar o uso de artigos em geral e pronomes são praticamente palavras isoladas que podem ser ocasionalmente contraídas com as preposições de (como em dela) ou em (como em nele) ou aplicadas diretamente a pronomes demonstrativos da terceira pessoa (como em aquelu), pensar em uma terminação nova e sua aplicação dá bem mais trabalho. Alguém que quer uma terminação oxítona vai ter que pensar na pronúncia da palavra antes de chegar ao seu fim (para um exemplo, é só comparar médique com mediqué), e alguém que quiser terminar palavras com letras como ã, i, u ou l (além de suas respectivas versões plurais) pode ter que considerar se deveria mudar a acentuação das palavras com quais se acostumou a escrever de outras formas para que as pronúncias desejadas sejam aplicadas corretamente.

Além disso, a neolinguagem já é altamente estigmatizada, com muitas pessoas não se sentindo à vontade para praticar seu uso e/ou se aprofundar em suas possibilidades, mesmo que seja fácil alguém utilizar terminações diferentes para se referir a si mesme. Então faz sentido que a maioria das pessoas tente se agarrar a elementos que já foram popularizados, e, enquanto qualquer "guia de como usar linguagem neutra da forma correta" que impõe uso de um único conjunto de linguagem específico tende a variar em relação a qual é "o artigo neutro" ou "o pronome neutro", só sei de um único guia que não incentiva uso da terminação e. Eu mesme tenho o hábito de me referir a mim com a terminação e ignorando que uso outras, mas (pessoalmente) acredito que eu deva repensar isto.

As preferências de pessoas que marcaram usar mais de uma terminação mudam novamente (em relação a artigos e pronomes):

  • 6 respondentes explicitaram que preferem que outres fiquem trocando as terminações que usam para se referir a elus;
  • 4 respondentes especificaram preferência por alguma(s) de suas terminações acima de outra(s);
  • 4 respondentes responderam não ter preferências por como pessoas escolhem entre as terminações que aceitam;
  • 2 respondentes deram a entender que suas preferências mudam de acordo com o momento.

Também foi feita a pergunta Se você usa alguma terminação diferente de a, o ou de palavras cortadas (como querid e cozinheir), você considera que palavras como "um", "pintor", "trabalhador" e "nu" podem ser usadas para se referir a você? Ela acabou não sendo bem formulada: a ideia era saber se as palavras mencionadas eram consideradas coerentes com neoterminações (como e ou u), mas muitas pessoas pareceram responder só em relação a se elas pessoalmente aceitam tais palavras ou não. A grande maioria das pessoas que deram opiniões afirmativas acerca de aceitarem tais palavras (seja por considerarem coerentes, seja por não terem preferência) foram pessoas que aceitam qualquer terminação ou terminação o; porém, a opção mais marcada foi Não, considero tais palavras incoerentes com as terminações que devem ser usadas para mim, sendo que ela foi marcada por 8 respondentes que não aceitam a terminação o e 1 respondente que aceita qualquer terminação.

Lembrete: é possível conferir a planilha completa para ver compilações e gráficos completos sobre esta ou outras perguntas.

5. contrações (e artigos indefinidos)

Após perguntar sobre terminações, algumas perguntas foram feitas especificamente para saber qual a opinião geral acerca de como lidar com contrações que, na língua padrão, são formadas por artigos:

  • Se artigos definidos não devem ser usados para você, mas terminações específicas sim, como você quer que as pessoas lidem com contrações e/ou artigos indefinidos?
  • Se você marcou que usa artigo e terminação diferentes, o que você prefere usar como base para contrações que contém artigos?

O objetivo da primeira pergunta era saber se pessoas com preferência pelo não uso de artigo preferiam que contrações fossem feitas usando a terminação (ex.: du designer ou pru designer no caso de alguém designer que aceita nenhum artigo e terminação u) ou se apenas as preposições deveriam ser aplicadas, sem contrações (como em de designer e para designer). Também gostaria de saber se pessoas que não querem ser referidas com artigos definidos se importam com artigos indefinidos. No entanto, as únicas respostas de pessoas que preenchiam o requerimento (marcaram preferência por nenhum artigo e marcaram preferência por terminações diferentes de nenhuma, ainda que tenham marcado outras preferências de artigo também) foram estas:

  • Prefiro que usem artigos não contraídos: a, de, em, para, por. Porém, não me incomoda usarem os finais de palavra nas contrações.
  • utilização da terminação

Também houve uma resposta de alguém que marcou artigos e terminações específiques além de qualquer artigo e qualquer terminação:

  • Neutralizando das mais variadas formas existentes, com ou sem linguagem não binária

As duas primeiras respostas pendem para o lado de usar a terminação, embora uma das respostas indique preferência por não contrair preposições. A outra resposta aparenta não demonstrar preferências, o que faz sentido se a pessoa não tem uma preferência forte pelo uso de nenhum artigo. Infelizmente, não só o número de respondentes que respondeu utilizar nenhum artigo foi relativamente baixo ("é só não usar artigos para se referir a pessoas" é uma retórica muito comum que pode ser útil em algumas situações, mas em outras acaba por apagar usuáries de neoartigos), como também as pessoas que marcaram preferência por nenhum artigo tiveram ou a tendência de marcar que também não queriam ser referidas com nenhuma terminação específica, assim possibilitando somente o uso de contornos e preposições sem contrações, ou a tendência de também aceitar artigos marcados, o que dificulta analisar este caso específico.

Ao refazer esta pergunta em outras pesquisas, recomendo disponibilizar opções pré-prontas além de um campo personalizado, o que pode incentivar um número maior de respostas (é só importante cuidar para que as respostas sejam de pessoas com preferência por nenhum artigo). A segunda pergunta, para pessoas que não necessariamente usam nenhum artigo mas que simplesmente possuem artigos e terminações diferentes (como artigo le e terminação e ao invés de artigo e e terminação e) teve opções pré-prontas:

  1. Com 8 respostas, a opção mais popular foi Não há preferência, é só ter alguma coerência com o tratamento disponibilizado;
  2. 5 respondentes marcaram O artigo em si (ex.: de + artigo u = du, para + artigo u = pru, independentemente da terminação), sendo que todes que marcaram esta opção aceitam artigos compostos apenas por uma letra (como os artigos a, ê, i ou x);
  3. 3 respondentes marcaram A preferência muda de acordo com cada caso, sendo que duas das três pessoas que marcaram isso possuem artigo composto de consoante + vogal/letra com som de vogal (como os artigos le e zy), com todos os artigos da terceira pessoa sendo compostos por um único caractere;
  4. 3 respondentes marcaram O artigo em si, mas sem acento (ex.: em + artigo ê = ne, de + artigo ê = de), sendo que duas das pessoas especificaram aceitar o artigo ê e a outra marcou que aceita qualquer artigo;
  5. 2 respondentes marcaram A terminação (ex.: de + terminação é = dé, per + terminação é = pelé, independentemente do artigo), com ambas as pessoas aceitando artigos compostos por consoante + vogal;
  6. 1 respondente marcou Uma parte do artigo (ex.: em + artigo le = ne, para + artigo le = pre, independentemente da terminação), sendo que as opções de artigo especificadas pela pessoa foram e, i, le, y e qualquer;
  7. 1 respondente marcou Prefiro que nunca sejam usadas contrações, mesmo que terminação e artigo estejam disponibilizades, sendo que quem marcou esta opção usa somente e como artigo e somente a como terminação.

Esta é uma questão meio complexa, porque, enquanto pode não fazer sentido perguntar todas as preferências linguísticas de alguém que acabou de se introduzir, às vezes há uma escolha a ser feita entre não usar contrações - uma decisão que pode pegar mal para pessoas cujos conjuntos de linguagem não são considerados "óbvios" - e usar contrações com as quais alguém não se sente confortável. Por outro lado, a opinião mais popular foi a de que qualquer tratamento que parecer coerente serve: isto é, alguém com artigo ê e terminação e pode se sentir à vontade tanto com a preposição de quanto com a contração dê.

Com base nestes dados, a minha sugestão é a utilização de artigos contraídos caso estes sejam compostos por uma ou mais letras pronunciáveis como vogais (ex.: ae, e, i, u, y), a utilização de terminações caso os artigos sejam compostos por consoante + vogal/caractere feito para ser lido como vogal (ex.: le, vi, xe, zy), a preferência por utilizar contrações com elementos comuns entre artigos e terminações quando possível (muitas pessoas aceitam i, e, u, x ou y tanto como artigo como terminação, por exemplo) e a utilização de preposições sem contrações para quem tem preferência pelo uso de nenhum artigo. Para ilustrar melhor estas sugestões:

  • Nenhum artigo, terminações e, a e o: preposições sem contrações (de, em, para, por);
  • Artigos o e u, terminação u: preposições com contração com u, já que o elemento é tanto artigo como terminação (du, nu, pru, pelu);
  • Artigo i, terminação e: preposições com contração com i, já que o artigo é só uma vogal (di, ni, pri, peli);
  • Artigo le, terminação e: preposições com contração com a terminação e, mesmo que nem todas sejam marcadas (de, ne, pre, pele);

Dito isso, caso a interação com determinada pessoa seja constante, a melhor coisa a se fazer é perguntar e anotar/memorizar quais são as preferências específicas daquela pessoa.

Finalmente, quanto a artigos indefinidos, não pareceu haver qualquer protesto de pessoas com preferência por nenhum artigo (definido) acerca do uso de artigos indefinidos marcados. Portanto, a recomendação continua sendo a de usar a terminação adequada: uma para quem aceita terminação a, ume para quem aceita terminação e, umy para quem aceita terminação y, um' para quem aceita terminação ' e assim por diante.

6. Pronomes demonstrativos

Pronomes demonstrativos foram oferecidos em pares (como essu/estu), começando pela segunda pessoa para seguir a ordem alfabética, embora todas as outras pessoas tenham seguido a ordem 1ª pessoa/2ª pessoa (como em estu/essu) ao preencher opções personalizadas caso tenham mencionado ambas as formas. Presume-se neste relatório que a diferenciação da ordem, a presença de aparentes contrações (como no caso de uma pessoa que preencheu estae/destae) e outras pequenas irregularidades que podem ser presenciadas na tabela completa sejam uma questão de não seguir exatamente o mesmo modelo providenciado, e não de expressões alternativas onde, por exemplo, destae deveria ser a palavra usada no lugar de esta/este enquanto estae seria a palavra usada no lugar de essa/esse.

Enfim, estes foram os pronomes demonstrativos marcados/inseridos peles respondentes:

  1. esse/este (22 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com ele (22 respondentes, 100%) e elu (5 respondentes, 22,73%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este par de pronomes foi o mais popular entre:
      • Pessoas não-binárias (13 respondentes: 48,13% des respondentes não-bináries marcaram aceitar este par, e pessoas não-binárias correspondem a 59,09% das pessoas que marcaram aceitar esse/este);
      • Homens (16 respondentes: 94,12% de homens marcaram aceitar este par, e homens correspondem a 72,73% des respondentes que marcaram aceitar esse/este);
      • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, empatando com quaisquer (4 respondentes: 44,44% destas pessoas marcaram aceitar este par, e tais pessoas correspondem a 18,18% des respondentes que marcaram aceitar esse/este);
      • Pessoas gênero-fluido/ideegênero, empatando com essa/esta (3 respondentes: 37,5% destas pessoas marcaram aceitar este par, e tais pessoas correspondem a 13,64% des respondentes que marcaram aceitar esse/este);
      • Pessoas xenogênero/xeegênero, empatando com éssie/éstie (3 respondentes: 37,5% destas pessoas marcaram aceitar este par, e tais pessoas correspondem a 13,64% des respondentes que marcaram aceitar esse/este);
      • Pessoas meegênero (4 respondentes: 80% destas pessoas marcaram aceitar este par, e pessoas meegênero correspondem a 18,18% des respondentes que marcaram aceitar esse/este).
  2. essa/esta (16 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com ela (16 respondentes, 100%) e elu (5 respondentes, 31,25%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este par de pronomes foi o mais popular entre:
      • Pessoas que não marcaram ser homens ou mulheres (8 respondentes: 34,78% destas pessoas marcaram aceitar este par, e tais pessoas correspondem a 50% des respondentes que marcaram aceitar essa/esta);
      • Pessoas gênero-fluido/ideegênero, empatando com esse/este (3 respondentes: 37,5% destas pessoas marcaram aceitar este par, e tais pessoas correspondem a 18,75% des respondentes que marcaram aceitar essa/esta);
      • Mulheres (7 respondentes: 87,5% de mulheres marcaram aceitar este par, e mulheres correspondem a 45,75% des respondentes que marcaram aceitar essa/esta).
  3. essu/estu (9 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com elu (8 respondentes, 88,89%) e ele (4 respondentes, 44,44%);
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Mesmo assim, ele foi o segundo par mais popular entre pessoas que marcaram ser não-binárias (9 respondentes), com 100% des respondentes que marcaram aceitar essu/estu também marcando que são não-bináries.
  4. quaisquer (9 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com qualquer (6 respondentes, 66,67%) e ele (3 respondentes, 33,33%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este par de pronomes foi o mais popular entre:
      • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, empatando com esse/este (4 respondentes: 44,44% destas pessoas marcaram aceitar quaisquer pronomes demonstrativos, e tais pessoas correspondem a 44,44% des respondentes que marcaram esta opção);
      • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero (3 respondentes: 60% destas pessoas marcaram aceitar quaisquer pronomes demonstrativos, e tais pessoas correspondem a 33,33% des respondentes que marcaram esta opção).
  5. éssi/ésti (6 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com ela, éli e élu (4 respondentes cada, 66,67%);
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar éssi/ésti também marcaram que são não-bináries.
  6. éssie/éstie (5 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com ile (3 respondentes, 60%) e empate entre ele, élu, elx e ily (2 respondentes cada, 40%);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por 5+ pessoas, este par de pronomes foi o mais popular entre pessoas xenogênero/xeegênero, empatando com esse/este (3 respondentes: 37,5% destas pessoas marcaram aceitar este par, e tais pessoas correspondem a 60% des respondentes que marcaram aceitar éssie/éstie).
  7. essi/esti (3 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com elu (3 respondentes, 100%) e empate entre ela e ele (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar essi/esti também marcaram que são não-bináries.
  8. essx/estx (3 respondentes);
    • As maiores correlações com pronomes pessoais são com elx (3 respondentes, 100%) e empate entre ael e éli (2 respondentes cada, 66,67%);
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar essi/esti também marcaram que são não-bináries e que não são nem mulheres e nem homens.
  9. ess/est (2 respondentes);
    • O pronome pessoal ela é o único compartilhado entre ambas as pessoas que marcaram este par;
    • Não há sobreposições entre as identidades de gênero das pessoas que marcaram aceitar ess/est.
  10. essie/estie (2 respondentes);
    • Os pronomes pessoais elu e ile são compartilhados por ambas as pessoas que marcaram este par;
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar essie/estie também marcaram que são não-bináries e que não são nem mulheres e nem homens.
  11. éssu/éstu (2 respondentes);
    • Os pronomes pessoais elu, élu, êlu, ile e ilu são compartilhados por ambas as pessoas que marcaram este par;
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar éssu/éstu também marcaram que são não-bináries e que não são nem mulheres e nem homens.
  12. essy/esty (2 respondentes);
    • Os pronomes pessoais ele e ile são compartilhados por ambas as pessoas que marcaram este par;
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar essy/esty também marcaram que são não-bináries e que não são nem mulheres e nem homens.
  13. issa/ista (2 respondentes);
    • Nenhum pronome pessoal específico é compartilhado entre ambas as pessoas que marcaram este par;
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar issa/ista também marcaram que são não-bináries e que não são nem mulheres e nem homens.
  14. isso/isto (2 respondentes);
    • O pronome pessoal ilo é o único que é compartilhado entre ambas as pessoas que marcaram este par;
    • Este par de pronomes não foi o mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% des respondentes que marcaram aceitar isso/isto também marcaram que são não-bináries e que não são nem mulheres e nem homens.
  15. nenhum (2 respondentes);
    • Nenhum pronome pessoal específico é compartilhado entre ambas as pessoas que marcaram esta opção;
    • A opção de contornar pronomes demonstrativos não foi a mais popular entre nenhuma das identidades de gênero marcadas por 5 ou mais pessoas. Dito isso, 100% das pessoas que marcaram aceitar nenhum pronome demonstrativo também marcaram ser pessoas não-binárias.
  16. Foram inseridos manualmente pronomes provavelmente equivalentes aos pares aessy/aesty, essae/estae, essz/estz e éss'/ést' (1 respondente cada);
  17. Os pares éss/ést, êssie/êstie, êssu/êstu, éssy/ésty, isse/iste e issu/istu estavam disponíveis para marcar, mas só foram marcados por 1 respondente cada;
  18. As opções quaisquer, fora os usados na língua padrão para se referir a pessoas (essa/esta/esse/este) e quaisquer, menos os associados ao gênero imposto ao nascer foram marcadas por uma pessoa cada.

Além das variações de "quase quaisquer" presentes também em outras perguntas (qualquer, menos os impostos ao gênero binário que não me foi imposto ao nascer, qualquer, menos alguns específicos de forma que não está descrita nas opções acima), o par issi/isti era uma opção disponível e não foi marcado por ninguém.

Distribuição de pares de pronomes demonstrativos como foram mencionados nas estatísticas acima.

Em relação à quantidade de pares (contando "nenhum", mas excluindo "quaisquer" e suas variações):

  • 23 respondentes especificaram 1 opção de par;
  • 8 respondentes especificaram 2 opções de pares;
  • 3 respondentes especificaram 3 opções de pares;
  • 2 respondentes especificaram 4 opções de pares;
  • 1 respondente especificou 5 opções de pares;
  • 2 respondentes especificaram 6 opções de pares;
  • 1 respondente especificou 7 opções de pares;
  • 1 respondente especificou 8 opções de pares.

Assim como ocorreu em respostas a outras perguntas, os pares de pronomes demonstrativos mais comuns em quem especificou apenas 1 par são os que estão inclusos dentro da língua padrão: 13 especificaram esse/este, 7 especificaram essa/esta. 2 respondentes especificaram apenas essu/estu, e a pessoa restante apenas especificou o uso de nenhum pronome demonstrativo.

Os resultados entre respondentes que especificaram 2 pares também não são muito distintos dos outros elementos: as únicas combinações escolhidas por mais de uma pessoa foram esse/este + essu/estu e essa/esta + esse/este; ninguém especificou 2 pares de neopronomes. Porém, desta vez, nenhuma pessoa que especificou duas opções especificou nenhum pronome como uma de suas opções. Os pares mais escolhidos deste grupo foram essa/esta e esse/este, com 5 respondentes cada, e o único par de neopronomes demonstrativos com mais de ume respondente foi essu/estu, com 3 respondentes.

Já entre quem especificou 3 ou mais pares, o par éssi/ésti foi o mais popular, com 6 respondentes, seguido por éssie/éstie, com 5 respondentes: ambos os pares não apareceram entre quem especificou menos de 3 pares. Depois disso, com 4 respondentes, empatam os pares essa/esta, esse/este e essu/estu. 3 respondentes deste grupo apenas especificaram neopronomes, e 1 respondente especificou a utilização de isso/isto além de neopronomes.

No total:

  • 22 pessoas especificaram apenas aceitar essa/esta e/ou esse/este;
  • 10 pessoas especificaram aceitar um ou ambos entre essa/esta e esse/este além de neopronomes (sendo que uma destas pessoas também especificou uma preferência por nenhum pronome demonstrativo);
  • 5 pessoas especificaram apenas aceitar neopronomes;
  • 1 pessoa especificou aceitar isso/isto, essa/esta e neopronomes;
  • 1 pessoa especificou aceitar isso/isto e neopronomes.

Quanto às preferências de quem aceita múltiplos pares de pronomes demonstrativos:

  1. 8 respondentes explicitaram não ter preferências;
  2. 4 respondentes explicitaram preferências específicas;
  3. 3 respondentes explicitaram preferência por ir trocando;
  4. 2 respondentes pareceram indicar que suas preferências mudam de tempos em tempos.

7. Pronomes possessivos

Por ter acreditado que respondentes 1) já estariam cansadas de perguntas e 2) não teriam preferências muito distintas além de "mi ou minh + terminação" e "su ou su + terminação", as três pessoas de pronomes possessivos foram condensadas em apenas uma pergunta, mesmo que cada pronome pudesse ser marcado separadamente. Infelizmente, isto deve ter acarretado em algumas consequências:

  • Muitas pessoas marcaram apenas um pronome em primeira pessoa (como minhe ou meu), mas não marcaram pronomes em segunda ou terceira pessoa (como tue ou seu);
  • Para a pergunta não ser excessivamente longa, não foram colocadas tantas opções de pronomes possessivos para cada pessoa. Como mais pessoas se sentem à vontade marcando opções do que inserindo suas próprias, não foi possível comparar dados de, por exemplo, tuí e suí em comparação com tui e sui, ou conferir se pessoas confortáveis com a terminação x também estariam confortáveis com os pronomes minhx, tux e sux.

Enfim, tendo em mente que respostas como "nenhum" ou variações de "quaisquer" não podiam ser marcadas separadamente, aqui estão os resultados separados entre primeira, segunda e terceira pessoa:

  1. meu (23 respondentes);
    • 11 respondentes marcaram que aceitam meu, teu e seu;
    • Entre es respondentes que marcaram ao menos 1 opção para as 3 pessoas, 2 respondentes que marcaram meu não marcaram que aceitam teu e/ou seu;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, meu foi o pronome possessivo mais popular entre:
      • Pessoas não-binárias (13 respondentes: 48,15% das pessoas não-binárias marcaram aceitar o pronome meu, e 56,52% des respondentes que marcaram aceitar o pronome meu são não-bináries);
      • Homens (15 respondentes: 88,24% de homens marcaram aceitar o pronome meu, e 65,22% des respondentes que marcaram aceitar o pronome meu são homens);
      • Pessoas agênero/ageegênero/do espectro agênero (4 respondentes: 44,44% des respondentes nesta categoria marcaram aceitar o pronome meu, e estas pessoas correspondem a 17,39% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
      • Pessoas meegênero (4 respondentes: 80% das pessoas meegênero marcaram aceitar o pronome meu, e tais pessoas correspondem a 17,39% des respondentes que marcaram aceitar o pronome meu).
  2. minhe (14 respondentes);
    • 7 respondentes marcaram que aceitam minhe, tue e sue;
    • Entre respondentes que marcaram ao menos 1 opção para as 3 pessoas, 3 des 10 respondentes que marcaram aceitar minhe não marcaram que aceitam tue e/ou sue;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, minhe foi o pronome possessivo mais popular entre:
      • Pessoas que não marcaram ser homens e nem mulheres (11 respondentes: 47,83% des respondentes neste grupo marcaram aceitar o pronome minhe, e tais respondentes correspondem a 78,57% das pessoas que marcaram aceitar este pronome);
      • Pessoas xenogênero/xeegênero (4 respondentes: 50% des respondentes xenogênero/xeegênero marcaram aceitar o pronome minhe, e tais respondentes correspondem a 28,57% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
      • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com mi (3 respondentes: 60% des respondentes marcaram aceitar o pronome minhe, e tais respondentes correspondem a 21,43% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, minhe foi o pronome possessivo da 1ª pessoa mais popular entre pessoas gênero-fluido/ideegênero, em empate com mi (5 respondentes: 62,5% das pessoas gênero-fluido/ideegênero marcaram aceitar o pronome minhe, e tais pessoas correspondem a 35,71% des respondentes que marcaram aceitar este pronome).
  3. minha (12 respondentes; é possível que uma ou outra pessoa não tenha marcado esta opção pela coleta de dados ter tido um breve período onde esta não era uma opção disponível, mas uma pessoa fez questão de preencher este pronome separadamente como um pronome possessivo que aceita);
    • 9 respondentes marcaram que aceitam minha, tua e sua;
    • Entre respondentes que marcaram ao menos 1 opção para as 3 pessoas, 100% des respondentes que marcaram que aceitam minha também marcaram que aceitam tua e sua;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, minha foi o pronome possessivo mais comum entre mulheres (7 respondentes: 87,5% de mulheres marcaram aceitar este pronome, e tais pessoas correspondem a 58,33% des respondentes que marcaram aceitar o pronome minha).
  4. mi (11 respondentes);
    • 5 respondentes marcaram que aceitam mi, tu e su;
    • Entre respondentes que marcaram ao menos 1 opção para as 3 pessoas, 5 das 10 pessoas que marcaram aceitar mi não marcaram que aceitam tu e/ou su;
      • Dito isso, 7 respondentes marcaram que aceitam mi, tue e su, e 6 marcaram que aceitam mi, tue e sue. Isto também se relaciona com o fato de todes es respondentes que marcaram aceitar o pronome possessivo mi também marcaram aceitar a terminação e;
      • A combinação mi, tua e sua também teve 6 respondentes, 5 des quais especificaram aceitar a terminação a, com a pessoa restante listando 6 terminações específicas além de qualquer.
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, mi foi o pronome possessivo mais popular entre pessoas gênero-fluxo/uxeegênero, em empate com minhe (3 respondentes: 60% das pessoas gênero-fluxo/uxeegênero marcaram aceitar o pronome mi, e tais respondentes correspondem a 27,27% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, mi foi o pronome possessivo da 1ª pessoa mais popular entre pessoas gênero-fluido/ideegênero, em empate com minhe (5 respondentes: 62,5% das pessoas gênero-fluido/ideegênero marcaram aceitar o pronome minhe, e tais pessoas correspondem a 45,45% des respondentes que marcaram aceitar este pronome).
  5. qualquer (7 respondentes);
    • 6 des 7 respondentes que marcaram esta opção também marcaram ser não-bináries.
  6. minhy (3 respondentes);
    • 100% das pessoas que marcaram esta opção também marcaram aceitar os pronomes possessivos tuy e suy, o que também é coerente com todys respondentes também terem marcado que aceitam a terminação y;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, 100% das pessoas que marcaram aceitar minhy também marcaram ser não-binárias e não ser homens ou mulheres.
  7. minhi (2 respondentes);
    • 100% das pessoas que marcaram esta opção também marcaram aceitar os pronomes possessivos tui e sui, o que também é coerente com todys respondentes também terem marcado que aceitam a terminação i;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, 100% das pessoas que marcaram aceitar minhi também marcaram ser não-binárias e não ser homens ou mulheres.
  8. my (2 respondentes, que tiveram que escrever manualmente que aceitam o pronome);
    • 100% das pessoas que especificaram esta opção também marcaram aceitar os pronomes possessivos tuy e suy, o que também é coerente com todys respondentes também terem marcado que aceitam a terminação y;
    • Enquanto umy dys respondentes aceita tanto my quanto minhy (entre outros pronomes na mesma categoria), zy outry respondente só aceita my ou meu;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, 100% das pessoas que marcaram aceitar my também marcaram ser não-binárias e não ser homens ou mulheres.
  9. me (1 respondente);
  10. Os pronomes minh', minhæ, minhae e minho foram preenchidos manualmente por 1 respondente cada;
  11. nenhum (1 respondente);
  12. qualquer, menos o associado com o gênero imposto ao nascer (1 respondente).
Distribuição de pronomes possessivos em primeira pessoa como foram mencionados nas estatísticas acima.
  1. tua (13 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 9 de 12 respondentes que marcaram que aceitam tua também marcaram minha e sua, e 11 especificaram aceitar a terminação a;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, tua foi o pronome possessivo da segunda pessoa mais marcado por:
      • Mulheres (6 respondentes: 75% de mulheres marcaram aceitar o pronome tua, e mulheres correspondem a 46,15% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
      • Pessoas que não marcaram ser homens ou mulheres, em empate com tue (6 respondentes: 26,09% das pessoas em questão marcaram aceitar o pronome tua, e tais pessoas correspondem a 46,15% des respondentes que marcaram aceitar tal pronome);
    • teu (12 respondentes);
      • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 10 de 12 respondentes que marcaram que aceitam teu também marcaram meu e seu, e todos especificaram que aceitam a terminação o;
      • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, tua foi o pronome possessivo da segunda pessoa mais marcado por:
        • Homens (9 respondentes: 52,94% de homens marcaram aceitar teu, e tais pessoas correspondem a 75% das pessoas que marcaram aceitar teu);
        • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, sem contar a opção quaisquer, em empate com tu e tue (2 respondentes: 22,22% destas pessoas marcaram aceitar teu, e tais pessoas correspondem a 16,67% das pessoas que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas xenogênero/xeegênero, em empate com tuy (3 respondentes: 37,5% das pessoas xenogênero/xeegênero marcaram aceitar teu, e tais pessoas correspondem a 25% das pessoas que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas meegênero (3 respondentes: 60% das pessoas meegênero marcaram aceitar teu, e tais pessoas correspondem a 25% das pessoas que marcaram aceitar este pronome).
    • tue (9 respondentes);
      • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 7 de 9 respondentes marcaram que aceitam minhe, tue e sue, e todes especificaram que aceitam a terminação e;
      • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, tue foi o pronome possessivo da segunda pessoa mais marcado por:
        • Pessoas não-binárias (8 respondentes: 29,63% das pessoas não-binárias marcaram que aceitam tue, e tais pessoas correspondem a 88,89% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas que não marcaram ser homens e nem mulheres (6 respondentes: 26,09% des respondentes nesta categoria marcaram que aceitam tue, e tais pessoas correspondem a 66,67% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, sem contar a opção quaisquer, em empate com teu e tu (2 respondentes: 22,22% destas pessoas marcaram aceitar teu, e tais pessoas correspondem a 22,22% das pessoas que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas gênero-fluido/ideegênero, em empate com tu (4 respondentes: 50% des respondentes gênero-fluido/ideegênero marcaram que aceitam tue, e tais pessoas correspondem a 44,44% des respondentes que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero (2 respondentes: 40% des respondentes gênero-fluxo/uxeegênero marcaram que aceitam tue, e tais pessoas correspondem a 22,22% des respondentes que marcaram aceitar este pronome).
    • qualquer (7 respondentes);
      • Entre pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, esta foi a opção mais popular para pronomes possessivos da 2ª e da 3ª pessoa.
    • tu (6 respondentes)
      • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 5 des 6 respondentes que marcaram aceitar tu como pronome possessivo também marcaram aceitar mi e su;
      • Todes es respondentes que marcaram esta opção também marcaram aceitar a terminação e;
      • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, tue foi o pronome possessivo da segunda pessoa mais marcado por:
        • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, sem contar a opção quaisquer, em empate com teu e tue (2 respondentes: 22,22% destas pessoas marcaram aceitar teu, e tais pessoas correspondem a 33,33% das pessoas que marcaram aceitar este pronome);
        • Pessoas gênero-fluido/ideegênero, em empate com tue (4 respondentes: 50% des respondentes gênero-fluido/ideegênero marcaram que aceitam tue, e tais pessoas correspondem a 66,67% des respondentes que marcaram aceitar este pronome).
    • tui (4 respondentes);
      • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 3 de 4 respondentes que marcaram aceitar tui também marcaram aceitar mi e sui, e 2 marcaram que aceitam minhi e sui;
      • Todis que marcaram esta opção de pronome também marcaram aceitar a terminação i e a terminação e;
      • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, tui não foi o pronome possessivo da segunda pessoa mais marcado em nenhum grupo, mas todes que marcaram esta opção também marcaram ser não-bináries;
    • tuy (4 respondentes);
      • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 3 de 4 respondentes que marcaram aceitar tuy também marcaram aceitar minhy e suy, e 2 marcaram que aceitam my e suy;
      • Todys que marcaram esta opção de pronome também marcaram aceitar a terminação y e a terminação e;
      • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, tuy foi o pronome possessivo da segunda pessoa mais marcado por pessoas xenogênero/xeegênero, empatando com teu (3 pessoas: 37,5% das pessoas xenogênero/xeegênero marcaram aceitar tuy, e tais pessoas compõem 75% das pessoas que marcaram aceitar o pronome).
    • Os pronomes tu', tuae e tuæ foram preenchidos manualmente por 1 respondente cada;
    • nenhum (1 respondente);
    • qualquer, menos o associado com o gênero imposto ao nascer (1 respondente).
Distribuição de pronomes possessivos em segunda pessoa como foram mencionados nas estatísticas acima.
  1. sua (14 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 9 de 12 respondentes que marcaram que aceitam sua também marcaram minha e tua, e 11 especificaram aceitar a terminação a;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, sua foi o pronome possessivo da terceira pessoa mais marcado por:
      • Pessoas que não marcaram ser homens ou mulheres (7 respondentes: 30,43% das pessoas que preenchem esta categoria marcaram aceitar o pronome sua, e tais pessoas correspondem a 50% de respondentes que marcaram aceitar tal pronome);
      • Mulheres (6 respondentes: 75% de mulheres marcaram aceitar o pronome sua, e mulheres correspondem a 42,86% de respondentes que marcaram aceitar tal pronome).
  2. seu (12 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 10 de 11 respondentes que marcaram que aceitam seu também marcaram meu e teu, e todos marcaram aceitar a terminação o;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, sua foi o pronome possessivo da terceira pessoa mais marcado por:
      • Homens (10 respondentes: 58,82% de respondentes homens marcaram aceitar o pronome seu, e tais pessoas correspondem a 83,33% de quem marcou aceitar este pronome);
      • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, em empate com su e sue, caso a opção qualquer seja ignorada (2 respondentes: 22,22% de respondentes desta categoria marcaram aceitar o pronome seu, e tais pessoas correspondem a 16,67% de quem marcou aceitar este pronome);
      • Pessoas xenogênero/xeegênero, em empate com su e suy (3 respondentes: 37,5% de respondentes xenogênero/xeegênero marcaram aceitar o pronome seu, e tais pessoas correspondem a 25% de quem marcou aceitar este pronome);
      • Pessoas meegênero (3 respondentes: 60% de respondentes meegênero marcaram aceitar o pronome seu, e tais pessoas correspondem a 25% de quem marcou aceitar este pronome).
  3. su (9 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 5 de 9 respondentes que marcaram aceitar su também marcaram aceitar mi e tu. 7 marcaram aceitar mi, tue e su, e 6 marcaram aceitar minhe, tue e su;
    • Su foi o pronome possessivo marcado por mais pessoas gênero-fluido/ideegênero (6 pessoas: 75% de respondentes gênero-fluido/ideegênero marcaram aceitar su, e tais respondentes correspondem a 66,67% de quem marcou aceitar este pronome);
    • A terminação e foi marcada por todes que marcaram aceitar o pronome su;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, su foi o pronome possessivo da terceira pessoa mais marcado entre:
      • Pessoas não-binárias (8 respondentes: 29,63% de pessoas não-binárias marcaram aceitar o pronome su, e tais pessoas correspondem a 88,89% de respondentes que marcaram aceitar este pronome);
      • Pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, em empate com seu e sue, caso a opção qualquer seja ignorada (2 respondentes: 22,22% de respondentes desta categoria marcaram aceitar o pronome su, e tais pessoas correspondem a 22,22% de quem marcou aceitar este pronome);
      • Pessoas xenogênero/xeegênero, em empate com seu e suy (3 respondentes: 37,5% de respondentes xenogênero/xeegênero marcaram aceitar o pronome su, e tais pessoas correspondem a 33,33% de quem marcou aceitar este pronome);
      • Pessoas gênero-fluxo/uxeegênero (2 respondentes: 40% de respondentes desta categoria marcaram o pronome su, e tais pessoas correspondem a 22,22% de quem marcou aceitar este pronome).
  4. sue (7 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 100% de 7 respondentes que marcaram aceitar sue também marcaram aceitar minhe e tue;
    • A terminação e foi marcada por todes que marcaram aceitar o pronome sue;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, sue foi o pronome possessivo da terceira pessoa mais marcado entre pessoas agênero/ageegênero/no espectro agênero, em empate com seu e su, caso a opção qualquer seja ignorada (2 respondentes: 22,22% de respondentes desta categoria marcaram aceitar o pronome sue, e tais pessoas correspondem a 28,57% de quem marcou aceitar este pronome).
  5. qualquer (7 respondentes);
  6. suy (5 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 3 de 5 respondentes que marcaram aceitar suy também marcaram aceitar minhy e tuy, e o número é igual entre quem marcou aceitar mi e tui além de suy;
    • As terminações e e y foram marcadas por todys que marcaram aceitar o pronome suy;
    • Entre as identidades de gênero marcadas por ao menos 5 respondentes, suy foi o pronome possessivo da terceira pessoa mais marcado entre pessoas xenogênero/xeegênero, em empate com seu e su (3 respondentes: 37,5% de respondentes xenogênero/xeegênero marcaram aceitar o pronome suy, e tais pessoas correspondem a 60% de quem marcou aceitar este pronome).
  7. sui (3 respondentes);
    • Entre quem especificou pronomes possessivos para as 3 pessoas, 2 de 3 respondentes que marcaram aceitar sui também marcaram aceitar minhi e tui, mas todes marcaram aceitar mi, tui e sui;
    • As terminações e e i foram marcadas por todes que marcaram aceitar o pronome sui;
    • Sui não foi o pronome possessivo da terceira pessoa mais popular entre quaisquer entre as identidades de gênero marcadas por pelo menos 5 pessoas, mas todas as pessoas que marcaram aceitar sui também não marcaram ser homens ou mulheres e marcaram que são pessoas não-binárias.
  8. Os pronomes su', suae, suæ e suo foram preenchidos manualmente por 1 respondente cada;
  9. nenhum (1 respondente);
  10. qualquer, menos o associado com o gênero imposto ao nascer (1 respondente).
Distribuição de pronomes possessivos em terceira pessoa como foram mencionados nas estatísticas acima.

Quanto às quantidades (o que inclui "nenhum pronome" mas não inclui nenhuma variação de "qualquer"):

  1. 18 respondentes especificaram 1 opção para a 1ª pessoa, 13 respondentes especificaram 1 opção para a 2ª pessoa, 14 respondentes especificaram 1 opção para a 3ª pessoa;
  2. 10 respondentes especificaram 2 opções para a 1ª pessoa, 8 respondentes especificaram 2 opções para a 2ª pessoa, 8 respondentes especificaram 2 opções para a 3ª pessoa;
  3. 2 respondentes especificaram 3 opções para a 1ª pessoa, 1 respondente especificou 3 opções para a 2ª pessoa, 2 respondentes especificaram 3 opções para a 3ª pessoa;
  4. 3 respondentes especificaram 4 opções para a 1ª pessoa, 4 respondentes especificaram 4 opções para a 2ª pessoa, 3 respondentes especificaram 4 opções para a 3ª pessoa;
  5. 1 respondente especificou 5 opções para a 1ª pessoa, 0 respondentes especificaram 5 opções para a 2ª pessoa, 0 respondentes especificaram 5 opções para a 3ª pessoa;
  6. 0 respondentes especificaram 6 opções para a 1ª pessoa, 1 respondente especificou 6 opções para a 2ª pessoa, 0 respondentes especificaram 6 opções para a 3ª pessoa;
  7. 1 respondente especificou 7 opções para a 1ª pessoa, 0 respondentes especificaram 7 opções para a 2ª pessoa, 1 respondente especificou 7 opções para a 3ª pessoa.

Também foi feita a pergunta acerca das preferências de quem marcou aceitar mais de um pronome possessivo (do mesmo tipo):

  1. 6 respondentes explicitaram preferências específicas;
  2. 5 respondentes indicaram que, pelo menos de forma geral, não têm preferências;
  3. 4 respondentes indicaram preferência pela troca habitual entre pronomes;
  4. 1 respondente indicou que sua preferência varia de tempos em tempos;
  5. 1 pessoa respondeu Variante mesmo., o que pode ser uma indicação de preferência específica que vai mudando ou de preferir que pessoas fiquem trocando.

8. Modalidades e identidades de gênero

As respostas acerca de modalidades de gênero foram as seguintes:

  1. 22 respondentes apenas marcaram ser trans;
  2. 9 respondentes apenas marcaram ser cis;
  3. 8 respondentes apenas marcaram ser iso;
  4. 3 respondentes apenas marcaram que não sabem responder;
  5. 2 respondentes marcaram que são iso e trans;
  6. 1 respondente marcou que não sabe responder, que rejeita categorização por modalidade de gênero e que é iso;
  7. 1 respondente marcou que utiliza uma modalidade de gênero não listada;
  8. 1 respondente marcou que é trans e que não sabia responder;
  9. 1 respondente marcou que é trans e que rejeita categorização por modalidade de gênero.

As modalidades de gênero ipso e últer também estavam disponíveis para marcar, mas não foram marcadas por ninguém.

Entre todes que marcaram pelo menos a opção trans (26 respondentes), apenas três combinações de identidades de gênero foram marcadas por mais de ume respondente: 2 respondentes marcaram ser agênero/ageegênero/no espectro agênero, sem gênero e não-bináries, 2 respondentes marcaram ser mulheres e 2 marcaram apenas ser não-bináries. Embora 11 pessoas trans tenham respondido ser homens, nenhuma destas pessoas apenas se disse homem, com algumas pessoas especificando outros termos mesmo não marcando ser pessoas não-binárias. 17 pessoas marcaram pelo menos ser não-binárias. Dentro das identidades não-binárias, a identidade mais comum marcada por este grupo foi agênero/ageegênero/espectro agênero, com 7 respondentes.

Entre todes que marcaram ser cis, houveram 4 homens, 4 mulheres e 1 respondente que marcou ser homem e não-binário.

Entre todes que marcaram pelo menos ser iso, não houve nenhuma identidade de gênero repetida. 8 das 11 pessoas marcaram ser não-binárias, com apenas uma destas marcando apenas que é não-binária. 2 respondentes marcaram ser mulheres (além de outros termos) e 2 respondentes diferentes marcaram ser homens (além de outros termos). Dentro das identidades não-binárias, as identidades mais comuns deste grupo foram gênero-fluxo (3 respondentes) e xenogênero (3 respondentes).

Entre quem marcou modalidades diferentes de trans, cis ou iso, mesmo que também tenham marcado pelo menos uma destas (7 respondentes), 2 respondentes marcaram apenas ser não-bináries, a única resposta igual dada por mais de uma pessoa. No total, 6 destas pessoas marcaram ser não-binárias, com a outra pessoa marcando apenas ser aporagênero/aeegênero. A ageneridade também foi popular neste grupo, com 3 respondentes marcando que são agênero/ageegênero/parte do espectro agênero, entre outras opções.

Considerando identidades de gênero separadas, estas foram as mais comuns (sem separação por modalidade de gênero):

  1. Não-binárie ou não binárie (27 respondentes);
  2. Homem (17 respondentes);
  3. Agênero / ageegênero / dentro do espectro agênero (9 respondentes);
  4. Gênero-fluido ou outras identidades que envolvem passar por mudanças na identidade de gênero (8 respondentes);
  5. Mulher (8 respondentes);
  6. Xenogênero / xeegênero (8 respondentes);
  7. Gênero-fluxo ou outras identidades que envolvem passar por mudanças na intensidade de gênero (5 respondentes);
  8. Meegênero / pessoa não-binária de identidade masculina (5 respondentes);
  9. Aporagênero / aeegênero (3 respondentes);
  10. Gênero neutro / neegênero (3 respondentes).

As opções Travesty ou travesti, Sem gênero e Feegênero / pessoa não-binária de identidade feminina também foram disponibilizadas, e foram marcadas apenas por 2 respondentes cada. Também foram oferecidas as opções Pomogênero / gênero indefinido / ineegênero e Não sei responder esta pergunta, que não foram marcadas por nenhume respondente.

Em termos de quantas pessoas marcaram ser homens ou mulheres:

  1. 23 respondentes usaram apenas termos diferentes de homem ou mulher;
  2. 13 respondentes especificaram ser homens além de outros termos;
  3. 6 respondentes apenas especificaram ser mulheres;
  4. 4 respondentes apenas especificaram ser homens;
  5. 2 respondentes especificaram ser mulheres além de outros termos;
  6. 0 respondentes especificaram ser homens e mulheres.

9. Considerações finais

26 des 48 respondentes marcaram que ao menos utilizam artigo, pronome e terminação para indicar a linguagem que usam. E, vendo as respostas indicadas, ao menos a especificação de artigo e pronome separadamente parecem ser fundamentais: mesmo entre pessoas que só especificam o pronome, há vários usos de artigos que não são necessariamente óbvios, desde a separação entre quem prefere o artigo ê ao artigo e (ou quem aceita ambos) até o uso de artigos que não seriam advinhados, como o artigo ael para quem também usa o pronome ael ou o artigo e para quem usa pronome ela e terminação a. O problema principal do modelo APF parece ser a falta de popularidade, um problema que acaba por ser cíclico quando pessoas que entram em contato com ele se recusam a utilizá-lo por medo que outras pessoas não entendam, quando a questão não é a falta de materiais ensinando tal modelo.

O artigo a ou o acaba por sinalizar melhor que terminações ou pronomes alguém aceita do que o pronome sinaliza os outros elementos: tais artigos possuem 100% de correspondência com os respectivos conjuntos a/ela/a e o/ele/o, mas isto não acontece com o pronome ela, com a terminação a, com o pronome ele em relação com o artigo o ou com a terminação o em relação com o pronome ele. Mas isto só vale para os conjuntos de linguagem já presentes na língua padrão: o artigo ê tem 100% de correlação com a terminação e, e todos os neopronomes marcados por 3 ou mais respondentes também possuem a mesma correlação com a terminação e, mas todas as correlações entre neoartigos e pronomes ou neopronomes e artigos que chegam a 100% partem de números muito baixos (por exemplo: 4 respondentes marcaram pronome élu e artigo e, 3 pessoas marcaram pronome elx e nenhum artigo, 2 pessoas marcaram artigo y e pronome ily). Nem mesmo o conjunto x/elx/x se salva: 1 des respondentes que marcou artigo x não marcou pronome elx ou terminação x, 1 des respondentes que marcou pronome elx não marcou artigo x e há mais pessoas que responderam aceitar a terminação x do que o artigo x ou o pronome elx (mesmo que ninguém tenha preenchido aceitar algum outro pronome ou artigo contendo a letra X).

Enquanto artigos e pronomes são questões mais abertas, as terminações e, a e o são amplamente aceitas por todes es respondentes (já que mesmo quem escolheu opções como "qualquer menos uma" ou "nenhuma ou qualquer" tecnicamente vai aceitar uma destas terminações). Isto não significa que todas as pessoas aceitando neoartigos ou neopronomes utilizam a terminação e, mas sim que pessoas que aceitam terminações como ae, i, u, x ou y vão aceitar pelo menos mais uma opção entre e, a e o, pelo menos segundo esta coleta de dados.

Uma presunção inicial acerca de pronomes demonstrativos é que pessoas iriam associá-los com pronomes pessoais (por exemplo, alguém que aceita o pronome pessoal ile também aceitaria o par isse/iste, enquanto alguém que aceita o pronome pessoal êlu também aceitaria o par êssu/êstu). Porém, várias pessoas aparentaram baseá-los muito mais em suas terminações: uma pessoa que não respondeu nenhum pronome com a letra I, mas que incluiu i em suas terminações, marcou aceitar essi/esti, e uma pessoa que só especificou 3 pronomes pessoais especificou 6 terminações e 5 pares de pronomes demonstrativos. Além disso, uma pessoa que apenas aceita a/ela/a marcou que aceita ess/est além de essa/esta.

Os pronomes possessivos também foram mais variados do que foi inicialmente esperado. Há pessoas que marcaram números diferentes de pronomes possessivos da 1ª, 2ª e 3ª pessoa, de forma que não pode ser atribuida somente a desconfortos com o uso de palavras que podem ter outros significados como pronomes possessivos. Algumas pessoas preferem usar mi e não minhe (mesmo que aceitem a terminação e), ou vice-versa, e uma pessoa aceita my sem aceitar minhy (também há pessoas que só aceitaram minhy, mas my não foi uma opção providenciada e então só foi preenchida por quem se importou mais). Há casos de pessoas usarem duas ou três terminações mas aceitarem um número menor de pronomes possessivos, como o caso de alguém aceitando terminações a e o mas só aceitando meu, teu e seu.

Nenhum modelo popularizado inclui pronomes demonstrativos ou possessivos (palavras como dela ou dele são contrações da preposição de com pronomes pessoais, e não são ou envolvem pronomes possessivos). Isto pode significar que muitas pessoas não se importariam tanto em ser referidas com palavras que não foram marcadas, mas que parecem coerentes com o resto de suas linguagens pessoais, mas também pode ser uma indicação de que pessoas com preferências mais específicas precisem começar a se organizar para indicar tais elementos. Para alguém acostumade com a ideia de que o pronome elu indica essu/estu independentemente da terminação, pode não ser tão óbvio que pessoas com pronomes como ili e ily não aceitam (ou têm preferência por) issi/isti ou issy/isty.

Em questões de identidade de gênero, não é surpreendente que mulheres e homens prefiram, em geral, a/ela/a ou o/ele/o, mas chama a atenção o fato de que mesmo pessoas que marcaram pertencer também a outras identidades de gênero continuaram aceitando tais conjuntos de linguagem. Mesmo as pessoas que não marcaram os elementos comumente associados com tais gêneros não o fizeram por terem marcado que aceitam qualquer ou qualquer com exceções, de forma que provavelmente são pessoas que ainda aceitam os conjuntos citados. Quase todas as pessoas meegênero (não-binárias de identidade masculina) também marcaram aceitar o/ele/o e elementos associados, com a exceção sendo uma pessoa que também marcou ser feegênero (não-binária de identidade feminina).

É possível notar diferenças entre pessoas que marcaram ser não-binárias e pessoas que marcaram não ser homens ou mulheres: provavelmente por conta dos vários homens não-binários respondendo, as respostas de pessoas não-binárias pendem para o/ele/e, esse/este e meu/tue/su, enquanto quem não marcou ser homem e nem mulher preferiu (a, e)/ela/e, essa/esta e minhe/(tue, tua)/sua. Dito isso, é importante perceber que ambos os grupos foram bastante diversos em suas respostas, com as porcentagens de quem aceitou os elementos mais populares muitas vezes sendo menores do que 50%.

Pessoas agênero/ageegênero/dentro do espectro agênero em geral preferiram pronome ele, terminação o e elementos relacionados, mas os artigos mais populares foram qualquer e nenhum (e a opção quaisquer empatou com esse/este em relação aos pronomes demonstrativos). Pode ter sido influência das três pessoas que marcaram ser homens e agênero/ageegênero/dentro do espectro agênero, mas também é possível que o/ele/o seja um conjunto visto como relativamente "neutro" sem ser "trabalhoso de exigir" em comparação com um conjunto que inclui neolinguagem.

Com a exceção do pronome elu (que 5 de 8 respondentes marcaram), da terminação e (6/8) e do pronome possessivo su (6/8), todos os elementos marcados por pessoas gênero-fluido/ideegênero obtiveram 50% ou menos de aderência, e há muitos empates entre os elementos mais populares. Este não é necessariamente um fato surpreendente, visto que o termo gênero-fluido não especifica quais gêneros alguém tem ou não tem.

Pessoas xenogênero/xeegênero se diversificaram bastante em relação às suas escolhas de elementos, com apenas a terminação e (5/8) sendo aceita por mais da metade do grupo. Apenas três opções de artigos, três opções de pronomes pessoais e quatro pares de pronomes demonstrativos foram marcades por mais de ume respondente cada, embora o número aumente em relação às terminações e aos pronomes possessivos. Isto acaba fazendo com que alguns elementos mais incomuns se destaquem: os pronomes pessoais elx e elu empataram em segundo lugar (2 pessoas cada, 25%), assim como as terminações ', o, u (de forma sempre oxítona), x e y (também marcadas por 2 pessoas cada) e os pronomes demonstrativos meu, seu, su, suy, teu e tuy (3 pessoas cada, 37,5%).

Não houveram tantes respondentes gênero-fluxo/uxeegênero, mas é possível perceber o quanto seus resultados são um pouco similares aos do espectro agênero num geral: opções como "qualquer" ou "qualquer menos o elemento associado com o gênero imposto ao nascer" empataram em primeiro lugar nas categorias artigo, pronome pessoal e pronomes demonstrativos, embora elementos, embora haja também mais presença de neolinguagem nas opções mais populares.

Respondentes tiveram a possibilidade de especificar o motivo de aceitarem determinados elementos de conjuntos de linguagem. Houveram apenas 12 respostas, e múltiplas somente descreveram sentimentos de conforto, reconhecimento de acordo com a identidade de gênero ou euforia de gênero, mas aqui estão algumas respostas que divergem um pouco disto:

  • Decidi não me importar com como outres me chamam para não criar (em mim) a expectativa de uma leitura específica.
  • Gosto mais da ausência de artigo e de contrações, pois soa uma formalidade e indeterminação que gosto. Gosto da sonoridade andrógine de éli. Uso a pronúncia elu por razões pessoais e políticas. Uso ilo exatamente para me apropriar e ressignificar isto/isso/aquilo. O artigo ê e o final y me soam anticoloniais, e isso me agrada. Aceito x/elx/x mais na escrita, e por que me recuso a vilanizar o uso do x. E aceito a/ela/a somente pela subversão.
  • não importo muito com o tratamento que utilizam comigo, desde que a pessoa entenda que o tratamento que ela usa não necessariamente define o meu gênero. Não quer dizer que só por que eu fique "ok" usando um tratamento que me foi imposto que eu me identifico com o gênero que me foi imposto. Eu até prefiro que evitem esse tratamento, mas por dificuldade de me impor, medo ou preguiça eu evito explicar isso. Faço em lugares e com pessoas que me sinta confortável.
  • Sou lida com mulher e não me importo o suficiente para solicitar que me tratem de outra forma. Portanto, aceito os conjuntos de linguagem clássicos "ela" e afins, mas também aceito conjunto de linguagem associado a "elu" e afins. Não aceito bem conjuntos masculinos.
  • uso tratamentos explicitamente não-binários, que não tendem a ser "neutros" genéricos.

São estas as informações resumidas, escritas por Aster! Para ler mais, baixe a planilha aqui. As seções abaixo foram escritas antes ou durante a coleta de dados.

divulgação

[fundo roxo, letra pequena e cinza] qósmiques apresentam: [letra maior e dourada] coleta de dados sobre [letra dourada em fonte de caligrafia] linguagem pessoal [letra branca] qosmiques.xyz/pesquisas/conjuntos2026.html [frase riscada] até dia 31/03 [frase destacada amarela] prorrogada até dia 10/04! [qr code centralizado, depois letra pequena e cinza] ajude a obter informações como concordância entre tipos de pronomes, quais artigos são mais utilizados, como cada tratamento é expressado e por quê, quais elementos pessoas não-conformistas de linguagem tendem a preferir e mais!
Imagem para repassar livremente. Publicações prontas:
Bluesky | Instagram | fediverso | Tumblr
[fundo roxo, letra pequena e cinza] qósmiques apresentam: [letra maior e dourada] coleta de dados sobre [letra dourada em fonte de caligrafia] linguagem pessoal [letra branca] qosmiques.xyz/pesquisas/conjuntos2026.html até dia 31/03 [qr code centralizado, depois letra pequena e cinza] ajude a obter informações como concordância entre tipos de pronomes, quais artigos são mais utilizados, como cada tratamento é expressado e por quê, quais elementos pessoas não-conformistas de linguagem tendem a preferir e mais!
Imagem para repassar livremente. Publicações prontas:
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possíveis dúvidas sobre a coleta

qual o período da pesquisa?

01/01/2025 até (presumidamente) 31/03/2025. Atualização: pelo número baixo de respondentes, a pesquisa será prorrogada até 10/04.

quais os objetivos da pesquisa?

  1. Coletar dados sobre a diversidade de preferências pessoais acerca de elementos de tratamento;
  2. Estimar que tipo de elemento é mais frequentemente usado como base para elementos vistos como secundários, como pronomes demonstrativos ou contrações compostas por artigos, ou determinar se tal correlação é coerente;
  3. Coletar dados acerca de populações que não se veem como não-binárias, mas que não usam somente os tratamentos esperados para suas identidades de gênero, caso possível;
  4. Conferir se é possível haver relação entre identidades não-binárias específicas e determinados tratamentos;
  5. Coletar dados acerca de formatos de tratamento preferidos e dos motivos por tais modelos serem adotados ou deixar de ser adotados;
  6. Mostrar, por meio das opções da pesquisa, como o campo da linguagem pessoal é amplo e deve ser pensado para além do pronome.

é só para pessoas no Brasil?

A pesquisa tem em mente usuáries da língua portuguesa, independentemente de suas localizações. Se você tem o hábito de se comunicar na língua portuguesa o suficiente para ter a própria linguagem pessoal nesta língua e colocá-la em prática, mesmo que seja apenas no trabalho/em redes sociais/com a família, sinta-se livre para participar.

Como vários dos espaços onde esta pesquisa será divulgada são espaços para pessoas em território considerado brasileiro, é provável que não hajam muitas pessoas fora do Brasil respondendo, mas é possível que opções de países sejam implementadas em pesquisas futuras caso tal necessidade apareça.

por que tantas opções?

Para evitar situações onde respostas são menos completas por preguiça ou vergonha.

Imagine, por exemplo, alguém que aceita os pronomes ael, ela, êla, elu, ila e ilu. Em uma pesquisa onde as únicas opções de pronome são ela, ele, elu ou "outros", é mais provável que a pessoa só se sinta à vontade de marcar ela e elu, ou ela, elu e um de seus outros pronomes. Nesta pesquisa, porém, todos os pronomes mencionados estão disponíveis, com a exceção de êla, que seria o único pronome que teria que ser preenchido separadamente.

por que o elemento que eu uso/minhe amigue usa não está na lista, enquanto há elementos que nunca vi?

Para evitar a fadiga de ter opções demais, não quis colocar todos os elementos que já ouvi falar que alguém usa em cada questão, optando por termos que já vi mais de uma pessoa adotar e pela inclusão de elementos divulgados no guia da Wiki Diversidades publicado em 2014, provavelmente um dos materiais mais famosos sobre como usar neolinguagem que não infere que existe ou deve existir apenas um único "gênero gramatical neutro correto" dentro da língua portuguesa.

Não existe um número limitado de artigos, pronomes ou afins: qualquer pessoa pode juntar as sílabas que quiser e formar elementos novos. Portanto, formar uma lista completa de qualquer elemento é impossível.

Dito isso, as opções digitadas nas perguntas do tipo "se você marcou que usa [outro(s) elemento(s)], qual ou quais devem ser [usados] para se referir a você?" também serão consideradas.

por que pessoas binárias/cis/hétero podem participar?

Qualquer pessoa pode ter suas preferências por determinados tratamentos. Embora não-conformidade de linguagem seja um subtipo de não-conformidade de gênero, questão quase sempre associada com heterodissidência, acredito que poucas pessoas com experiências não-conformistas de linguagem saibam que podem se denominar como tal, e o uso de termos como "cisdissidente ou NCL" pode acabar afastando pessoas que não sabem que se encaixam em um dos termos mesmo que se encaixem em tal público por definição.

Idealmente, seria apreciada a noção proporcional de quantas pessoas usam tratamentos normativos ou dissidentes, mas sei que a maior parte das pessoas que vai ter paciência de preencher a pesquisa já vai fazer parte de populações cujas linguagens pessoais estão fora das normas (sendo que pessoas sem muitas preferências específicas podem acabar desistindo pela especificidade também), então não acho que este seria um formato ideal para medir a quantidade de usuáries de cada conjunto de linguagem.

Eu não acho que as respostas de pessoas com conjuntos normativos que sejam associados com as identidades de gênero que possuem sejam inúteis, até porque a pesquisa também abrange outras perguntas, como a forma que pessoas expressam tratamentos, e respostas completas acerca dos elementos específicos vão ajudar a confirmar que a preferência por conjuntos normativos existe mesmo quando todos os elementos são considerados. Mas, sim, a maioria das perguntas é voltada às populações não-conformistas de linguagem e/ou não-binárias.

De qualquer forma, um dos objetivos da pesquisa é expor a diversidade de tratamentos, e acho que fará bem para pessoas dentro das normas verem um formulário que não reduz todas as opções a três ou quatro pronomes, duas modalidades de gênero e quatro ou cinco identidades de gênero, com o resto sendo "irrelevante" ou "óbvio". :)

informações de classe/raça/deficiência/território/outras questões não são importantes para esse tipo de pesquisa?

A pesquisa já tem mais de 30 perguntas, e não pode ser parcialmente salva ou dividida em páginas com algumas delas sendo opcionais. Ela também dificilmente será respondida por pessoas suficientes para ser representativa das populações que marcariam cada uma das opções (como dito na resposta acima).

Portanto, por mais que seria interessante ver se determinado grupo tende a ter determinadas tendências em relação ao tratamento, foi preferível não alongar ainda mais o formulário. Identidade e modalidade de gênero foram incluídas porque muitas pessoas não gostariam de responder uma das perguntas sem a outra, e a identidade de gênero ajuda a responder questões como, por exemplo, se há tendência de pessoas xenogênero usar tratamentos baseados em substantivos/adjetivos/onomatopeias, ou se um desbalanceamento em relação a um gênero gramatical padrão estar sendo mais adotado do que o outro tem a ver mais com as identidades de gênero das pessoas respondendo do que com tendência geral.

Entendo que populações mais vulneráveis podem acabar sentindo a necessidade de abraçar tratamentos normativos para não serem excluídas das únicas oportunidades de emprego ou dos únicos círculos sociais que frequentam, por exemplo. Mas acho que isso vai ter que ficar por outra pesquisa, até porque são múltiplos fatores que podem ser levados em consideração (quantas outras pessoas em volta usam tratamentos diversos, se a pessoa depende de alguém financeiramente e se essa pessoa aceita neolinguagem, se há segurança em seu emprego caso decida usar determinado conjunto de linguagem ou assim por diante).