dados sobre linguagem pessoal (2026)

possíveis dúvidas sobre a coleta

qual o período da pesquisa?

01/01/2025 até (presumidamente) 31/03/2025.

quais os objetivos da pesquisa?

  1. Coletar dados sobre a diversidade de preferências pessoais acerca de elementos de tratamento;
  2. Estimar que tipo de elemento é mais frequentemente usado como base para elementos vistos como secundários, como pronomes demonstrativos ou contrações compostas por artigos, ou determinar se tal correlação é coerente;
  3. Coletar dados acerca de populações que não se veem como não-binárias, mas que não usam somente os tratamentos esperados para suas identidades de gênero, caso possível;
  4. Conferir se é possível haver relação entre identidades não-binárias específicas e determinados tratamentos;
  5. Coletar dados acerca de formatos de tratamento preferidos e dos motivos por tais modelos serem adotados ou deixar de ser adotados;
  6. Mostrar, por meio das opções da pesquisa, como o campo da linguagem pessoal é amplo e deve ser pensado para além do pronome.

é só para pessoas no Brasil?

A pesquisa tem em mente usuáries da língua portuguesa, independentemente de suas localizações. Se você tem o hábito de se comunicar na língua portuguesa o suficiente para ter a própria linguagem pessoal nesta língua e colocá-la em prática, mesmo que seja apenas no trabalho/em redes sociais/com a família, sinta-se livre para participar.

Como vários dos espaços onde esta pesquisa será divulgada são espaços para pessoas em território considerado brasileiro, é provável que não hajam muitas pessoas fora do Brasil respondendo, mas é possível que opções de países sejam implementadas em pesquisas futuras caso tal necessidade apareça.

por que tantas opções?

Para evitar situações onde respostas são menos completas por preguiça ou vergonha.

Imagine, por exemplo, alguém que aceita os pronomes ael, ela, êla, elu, ila e ilu. Em uma pesquisa onde as únicas opções de pronome são ela, ele, elu ou "outros", é mais provável que a pessoa só se sinta à vontade de marcar ela e elu, ou ela, elu e um de seus outros pronomes. Nesta pesquisa, porém, todos os pronomes mencionados estão disponíveis, com a exceção de êla, que seria o único pronome que teria que ser preenchido separadamente.

por que o elemento que eu uso/minhe amigue usa não está na lista, enquanto há elementos que nunca vi?

Para evitar a fadiga de ter opções demais, não quis colocar todos os elementos que já ouvi falar que alguém usa em cada questão, optando por termos que já vi mais de uma pessoa adotar e pela inclusão de elementos divulgados no guia da Wiki Diversidades publicado em 2014, provavelmente um dos materiais mais famosos sobre como usar neolinguagem que não infere que existe ou deve existir apenas um único "gênero gramatical neutro correto" dentro da língua portuguesa.

Não existe um número limitado de artigos, pronomes ou afins: qualquer pessoa pode juntar as sílabas que quiser e formar elementos novos. Portanto, formar uma lista completa de qualquer elemento é impossível.

Dito isso, as opções digitadas nas perguntas do tipo "se você marcou que usa [outro(s) elemento(s)], qual ou quais devem ser [usados] para se referir a você?" também serão consideradas.

por que pessoas binárias/cis/hétero podem participar?

Qualquer pessoa pode ter suas preferências por determinados tratamentos. Embora não-conformidade de linguagem seja um subtipo de não-conformidade de gênero, questão quase sempre associada com heterodissidência, acredito que poucas pessoas com experiências não-conformistas de linguagem saibam que podem se denominar como tal, e o uso de termos como "cisdissidente ou NCL" pode acabar afastando pessoas que não sabem que se encaixam em um dos termos mesmo que se encaixem em tal público por definição.

Idealmente, seria apreciada a noção proporcional de quantas pessoas usam tratamentos normativos ou dissidentes, mas sei que a maior parte das pessoas que vai ter paciência de preencher a pesquisa já vai fazer parte de populações cujas linguagens pessoais estão fora das normas (sendo que pessoas sem muitas preferências específicas podem acabar desistindo pela especificidade também), então não acho que este seria um formato ideal para medir a quantidade de usuáries de cada conjunto de linguagem.

Eu não acho que as respostas de pessoas com conjuntos normativos que sejam associados com as identidades de gênero que possuem sejam inúteis, até porque a pesquisa também abrange outras perguntas, como a forma que pessoas expressam tratamentos, e respostas completas acerca dos elementos específicos vão ajudar a confirmar que a preferência por conjuntos normativos existe mesmo quando todos os elementos são considerados. Mas, sim, a maioria das perguntas é voltada às populações não-conformistas de linguagem e/ou não-binárias.

De qualquer forma, um dos objetivos da pesquisa é expor a diversidade de tratamentos, e acho que fará bem para pessoas dentro das normas verem um formulário que não reduz todas as opções a três ou quatro pronomes, duas modalidades de gênero e quatro ou cinco identidades de gênero, com o resto sendo "irrelevante" ou "óbvio". :)

informações de classe/raça/deficiência/território/outras questões não são importantes para esse tipo de pesquisa?

A pesquisa já tem mais de 30 perguntas, e não pode ser parcialmente salva ou dividida em páginas com algumas delas sendo opcionais. Ela também dificilmente será respondida por pessoas suficientes para ser representativa das populações que marcariam cada uma das opções (como dito na resposta acima).

Portanto, por mais que seria interessante ver se determinado grupo tende a ter determinadas tendências em relação ao tratamento, foi preferível não alongar ainda mais o formulário. Identidade e modalidade de gênero foram incluídas porque muitas pessoas não gostariam de responder uma das perguntas sem a outra, e a identidade de gênero ajuda a responder questões como, por exemplo, se há tendência de pessoas xenogênero usar tratamentos baseados em substantivos/adjetivos/onomatopeias, ou se um desbalanceamento em relação a um gênero gramatical padrão estar sendo mais adotado do que o outro tem a ver mais com as identidades de gênero das pessoas respondendo do que com tendência geral.

Entendo que populações mais vulneráveis podem acabar sentindo a necessidade de abraçar tratamentos normativos para não serem excluídas das únicas oportunidades de emprego ou dos únicos círculos sociais que frequentam, por exemplo. Mas acho que isso vai ter que ficar por outra pesquisa, até porque são múltiplos fatores que podem ser levados em consideração (quantas outras pessoas em volta usam tratamentos diversos, se a pessoa depende de alguém financeiramente e se essa pessoa aceita neolinguagem, se há segurança em seu emprego caso decida usar determinado conjunto de linguagem ou assim por diante).